19 de março de 2026

Asplan participa do Tecnobio Cana e destaca avanços no uso de biológicos na cana-de-açúcar

A Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) participou, nesta quarta-feira (18), da 4ª edição do Tecnobio Cana, realizada em Maceió, acompanhando de perto as inovações que vêm transformando o manejo agrícola. Representaram a entidade o biólogo Roberto Balbino, que foi um dos palestrantes, e o supervisor técnico Julio Barbosa.

O evento reuniu especialistas e profissionais do setor para discutir o avanço dos insumos biológicos, com foco em formulações mais modernas, tecnologias de aplicação, armazenamento, uso de drones e controle de qualidade — evidenciando uma mudança significativa na agricultura, com soluções que saem do laboratório e ganham cada vez mais espaço no campo.

Um dos destaques da programação foi a participação de Roberto Balbino como palestrante no painel “Quando iniciar o controle biológico em pragas de cana-de-açúcar”. Na ocasião, ele apresentou o case da Estação de Camaratuba e trouxe orientações práticas voltadas à realidade do controle biológico do Nordeste, especialmente dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Durante a apresentação, Balbino destacou pontos fundamentais para a eficiência do manejo, como o momento ideal para iniciar o controle biológico, considerando fatores como o tamanho e a idade da cana, além do estágio de desenvolvimento das pragas. Ele explicou, por exemplo, que a liberação da Cotesia pode ser realizada em plantas ainda jovens, com cerca de 45 dias, e que o controle da broca deve começar quando a lagarta atinge aproximadamente meio centímetro.

“O planejamento é essencial. É preciso monitorar desde a bordadura até o interior do talhão, observar os níveis populacionais das pragas e definir corretamente o momento das liberações. Assim, evitamos que os índices avancem a ponto de causar prejuízos econômicos à cultura”, ressaltou. O biólogo também chamou atenção para o surgimento de pragas secundárias, como o elasmo, o cochonilia rosada e a cigarrinha, especialmente em períodos chuvosos, o que exige atenção redobrada dos produtores. Segundo ele, o uso estratégico dos biológicos permite um controle mais sustentável e eficiente.

Outro ponto abordado foi a versatilidade desses insumos. “Os biológicos, como os fungos, não apenas controlam pragas, mas também atuam no combate a doenças e ainda desempenham funções importantes dentro da planta, ampliando os benefícios para o sistema produtivo”, destacou Balbino.

Atualmente, o Brasil utiliza manejo biológico em cerca de 156 milhões de hectares, sendo aproximadamente 10% desse total na cultura da cana-de-açúcar — um número que demonstra o potencial de expansão dessas tecnologias. O avanço dos bioherbicidas, segundo Balbino, também foi apontado como uma tendência promissora para os próximos anos. “A participação no evento reforça o compromisso da Asplan em acompanhar as inovações do setor e levar conhecimento técnico aos produtores, contribuindo para uma produção mais eficiente, sustentável e competitiva”, reiterou o diretor técnico da Associação, Neto Siqueira.

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Debates sobre jornada de trabalho, mercado e inovação marcam reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, em Brasília

A reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária, realizada nesta quarta-feira (18), em Brasília, reuniu representantes do setor produtivo, entidades e especialistas para discutir temas estratégicos que impactam diretamente a cadeia sucroenergética. O encontro foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto.

Entre os principais pontos debatidos, ganhou destaque a preocupação do setor com propostas de mudança na jornada de trabalho em tramitação no Congresso Nacional. De acordo com os participantes, há movimentações para pautar ainda este ano projetos que tratam da redução da carga horária, incluindo a chamada PEC 221, que prevê jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta, que já reúne diferentes iniciativas legislativas sobre o tema, preocupa especialmente produtores do Nordeste. Segundo representantes do setor, a eventual constitucionalização de um novo modelo de jornada pode engessar as relações de trabalho e dificultar a adaptação às realidades regionais.

“Uma mudança impositiva na Constituição retira a capacidade de negociação dos setores. No campo, já enfrentamos escassez de mão de obra e, em muitos casos, dificuldade de contratação devido à manutenção de benefícios sociais. A combinação desses fatores pode gerar um cenário crítico”, alertou o advogado da CNA, Rodrigo Alves Costa. Outro ponto levantado foi a incerteza quanto ao instrumento legal que será adotado — se por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ou projeto de lei — além da falta de clareza sobre o conteúdo final a ser votado.

Além das questões trabalhistas, a reunião abordou desafios de mercado, especialmente no segmento de etanol. Representantes do setor alertaram para o descompasso entre o crescimento da produção — impulsionado, sobretudo, pelo etanol de milho — e a demanda ainda insuficiente para absorver esse volume, o que tem pressionado preços e margens. Por outro lado, foi ressaltado o potencial de expansão do etanol como alternativa energética global, inclusive com boas perspectivas no setor marítimo, com destaque para iniciativas internacionais de descarbonização e uso de combustíveis renováveis. O etanol brasileiro foi apontado como uma das opções mais viáveis e sustentáveis nesse cenário.

A reunião também abriu espaço para a apresentação de iniciativas de inovação, como o programa “Cana Mais”, da Embrapa, que pretende fortalecer a pesquisa, ampliar a produtividade e aproximar o setor produtivo das soluções tecnológicas. Também foi apresentado dados das safras na região Centro/Sul, que até a segunda quinzena de janeiro, mostrou a produção de açúcar se mantendo crescente e a produção de etanol em decréscimo, e uma safra com estimativa de 635 milhões de toneladas de cana. Abordou-se também a safra do Nordeste que tem atravessado momentos difíceis desde o ano passado, com redução em quase todos os estados e, principalmente, com relação a queda nos preços.

Ao final, ficou evidente que o setor atravessa um momento de grandes desafios, que envolvem desde questões regulatórias e trabalhistas até a necessidade de expansão de mercados e ganhos de eficiência. A avaliação geral dos participantes é de que o acompanhamento permanente dessas pautas e a articulação institucional serão decisivos para garantir a sustentabilidade da atividade.

Na avaliação do presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária, Pedro Campos Neto, a reunião foi produtiva e estratégica diante dos desafios enfrentados pelo setor. “Debatemos sobre temas sensíveis, como as propostas de mudança na jornada de trabalho, o cenário do mercado de etanol e as perspectivas de inovação. O setor vive um momento que exige atenção redobrada e essas pautas podem alterar significativamente a nossa realidade. E a Câmara cumpre um papel essencial de integração, permitindo que possamos alinhar posições, antecipar desafios e buscar soluções conjuntas para garantir a sustentabilidade do setor”, finalizou.

 

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Audiência pública debate demarcação de terras no Conde e mobiliza produtores rurais que pedem segurança jurídica

A Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) acompanhou, nesta quarta-feira (18), a audiência pública realizada na Câmara de Vereadores do município do Conde (PB), que discutiu o processo de demarcação de terras indígenas na região. O encontro reuniu produtores rurais, autoridades locais e representantes da sociedade civil, promovendo um espaço de diálogo sobre um tema de grande impacto para o setor produtivo. A iniciativa da propositura foi da vereadora Rosélia Maria da Silva Oliveira.

Durante a audiência, foram apresentadas preocupações relacionadas a áreas onde já existem produtores em plena atividade, incluindo associados da entidade, o que tem gerado apreensão no campo. Um dos momentos mais importantes da audiência aconteceu com a participação de presidentes de diferentes assentamentos da região atingidos com esse processo de demarcação da FUNAI, que deram testemunhos da história e bom uso das terras, denunciando que estavam sendo esquecidos e negligenciados pelo INCRA em todo esse processo demarcatório. A Asplan participou ativamente das discussões, reforçando a importância do diálogo institucional e da busca por soluções equilibradas.

O presidente do Departamento Técnico da Asplan, Neto Siqueira, destacou a relevância da mobilização dos produtores diante do cenário. “Esse é um momento que exige atenção e, principalmente, união. É fundamental que os produtores estejam acompanhando de perto todas as ações e participando dos debates, pois estamos tratando de um tema que impacta diretamente a atividade produtiva e a segurança jurídica no campo”, afirmou.

Ele também ressaltou que a entidade seguirá monitorando os desdobramentos do processo e prestando suporte aos associados que possam ser afetados. “A Asplan está vigilante e atuante, oferecendo apoio técnico e institucional. A participação coletiva fortalece o setor e garante que os produtores tenham voz ativa nesse processo”, acrescentou.

A audiência evidenciou a necessidade de continuidade das discussões, com transparência e respeito aos diferentes interesses envolvidos, reforçando o papel das entidades representativas na defesa dos produtores rurais.

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