Asplan e Sicoob Centro Nordeste discutem parceria para ampliar acesso ao crédito aos produtores canavieiros paraibanos

A busca por alternativas que garantam sustentabilidade e competitividade ao setor canavieiro paraibano pautou a reunião realizada na manhã desta segunda-feira (30), na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa. O encontro reuniu dirigentes da entidade e representantes do Sicoob Centro Nordeste, com foco na construção de parcerias e na abertura de canais de relacionamento que possibilitem ampliar o acesso dos produtores canavieiros ao crédito.

Na abertura, o presidente da Asplan, José Inácio, fez um panorama detalhado das principais culturas agrícolas da Paraíba, destacando a cana-de-açúcar como a mais relevante em termos econômicos e sociais para o estado. Ele ressaltou que, apesar da importância estratégica da atividade, os produtores enfrentaram uma das safras mais desafiadoras dos últimos anos.

Segundo o dirigente, a última safra foi impactada por uma combinação de fatores negativos, como preços pouco atrativos, queda na produtividade e elevação significativa dos custos de produção. “Tivemos uma redução de cerca de 12% na safra, além de uma perda na qualidade da ATR, o que comprometeu diretamente a rentabilidade do produtor”, explicou, ao destacar que o cenário exige medidas urgentes de apoio e fomento.

O vice-presidente da Asplan, Pedro Campos Neto, reforçou o diagnóstico das dificuldades recentes, mas trouxe uma visão mais otimista em relação ao futuro da atividade. Ele destacou que o mercado internacional começa a sinalizar uma valorização do etanol, impulsionada por fatores geopolíticos, como o atual conflito no Oriente Médio, que afeta diretamente o mercado de combustíveis fósseis. Além disso, ele chamou atenção para uma tendência que pode transformar o setor nos próximos anos: a utilização do chamado “bio bunker”, um combustível renovável voltado para o transporte marítimo. “Há uma movimentação global para substituir combustíveis tradicionais por alternativas mais limpas. O uso do etanol e outros biocombustíveis por navios já começa a ganhar espaço e isso deve ampliar significativamente a demanda, abrindo novas oportunidades para o setor num futuro próximo”, destacou.

A preocupação com o aumento dos custos também foi enfatizada pelo diretor técnico da Asplan, Neto Siqueira. Ele alertou para o impacto direto da alta dos fertilizantes, consequência das instabilidades no mercado internacional e das dificuldades logísticas relacionadas à importação de insumos. “Quem depende de insumos importados já sente esse reflexo no custo de produção, o que pressiona ainda mais a margem do produtor”, afirmou.

Após ouvir atentamente as exposições, o gerente regional do Sicoob Centro Nordeste, Jardhel Lacerda, reconheceu a relevância do setor e a necessidade de apoio financeiro para impulsionar a atividade. Ele ressaltou que, embora ainda não exista uma parceria comercial formalizada entre a cooperativa e a Asplan, há total interesse em avançar nas tratativas. “Vamos analisar as possibilidades que temos para atender os produtores. Nosso compromisso é trabalhar com o presente, entendendo que vocês precisam de fomento agora. Vamos nos esforçar para construir soluções viáveis. A cooperativa não tem como foco o lucro, mas precisa manter resultados consistentes para continuar atendendo bem seus cooperados”, afirmou.

Também participaram da reunião, representando o Sicoob Centro Nordeste, o diretor de negócios Francisco Monte Carlos, a agente de relacionamento Aiara Lacerda e o gerente de agência Lúcio Flávio. Pela Asplan, estiveram presentes ainda a gerente administrativa Kiony Vieira, o diretor tesoureiro Oscar Gouvêa, o consultor financeiro Cristiano Aguiar e o advogado Tarcio Handel, entre outros participantes.

“Esse encontro reforça o papel institucional da Asplan na defesa dos interesses dos produtores canavieiros e na busca por soluções concretas para os desafios que enfrentamos. Ao investir no diálogo com instituições financeiras, nós ampliamos as possibilidades de acesso a crédito aos nossos associados que estão precisando muito neste momento, além de fortalecermos a construção de políticas de apoio que contribuam para valorização de nossa atividade”, reiterou José Inácio, avaliando a reunião como muito promissora.

A expectativa é de que novas reuniões sejam realizadas para aprofundar as discussões e, em breve, aconteça a formalização de propostas que beneficiem diretamente os produtores, garantindo mais acesso ao crédito, melhor capacidade de investimento e boas condições para superar as atuais dificuldades.

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