Pedro Campos Neto defende união do setor sucroenergético e destaca novas oportunidades para o etanol em conferência da Datagro

O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Pedro Campos Neto, participou, nesta terça-feira (27), como palestrante, do painel “Planejamento do setor – Painel dos presidentes”, durante o segundo dia da 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Álcool, realizada, em São Paulo.

Durante sua participação, Pedro abordou as transformações do setor sucroenergético nos últimos anos, destacando o crescimento do etanol de milho, o potencial de novas tecnologias e a importância da união entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva para ampliar mercados e fortalecer a competitividade do etanol brasileiro. Ao fazer uma retrospectiva da evolução do setor, o dirigente ressaltou a mudança de percepção em relação ao etanol de milho, que inicialmente era visto como concorrente da produção oriunda da cana-de-açúcar. “No começo, a gente via como um adversário. Hoje, a gente vê o etanol de milho como um parceiro, um parceiro com quem estamos procurando mercado juntos”, afirmou.

Pedro também compartilhou impressões de sua recente viagem à China, de onde retornou no último domingo, e chamou a atenção para a presença expressiva de veículos elétricos no país asiático. Para ele, o avanço da indústria automobilística chinesa representa um desafio que precisa ser considerado nas estratégias para o futuro da mobilidade e do mercado brasileiro de combustíveis. Outro ponto destacado foi a evolução das perspectivas para o escoamento do etanol. Segundo Pedro, há cerca de quatro anos, alternativas como o bio bunker, combustível de origem renovável voltado ao transporte marítimo, eram vistas como possibilidades para o médio e longo prazo. “Hoje, essa alternativa já se apresenta como uma realidade próxima, com potencial para representar uma mudança importante para o setor”, destacou ele.

O dirigente também chamou a atenção para a dinâmica do mercado sucroenergético e para os desafios impostos pelo crescimento da oferta de etanol. Se antes as usinas podiam alternar a produção entre açúcar e etanol conforme as condições de mercado, o cenário atual exige novas estratégias, diante das mudanças na comercialização e das oportunidades abertas por combustíveis de origem renovável. Nesse contexto, Pedro defendeu o trabalho conjunto para avançar na aprovação e no desenvolvimento de iniciativas que ampliem a utilização do etanol no transporte marítimo, reforçando o compromisso da Câmara Setorial com a construção de soluções para o setor.

Ao falar sobre sua atuação à frente da Câmara Setorial, Pedro destacou ainda a necessidade de manter a representatividade institucional acima das diferenças políticas. Ele recordou que, ao assumir o colegiado, fez questão de ressaltar que sua atuação seria pautada pelos interesses da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. “A gente não tem bandeira, não tem cor, não tem partido. O partido da gente é a cana-de-açúcar”, enfatizou, defendendo a união dos representantes do setor em torno de objetivos comuns. Também participa do evento o consultor financeiro da Asplan, Cristiano Aguiar, que acompanha as discussões e as perspectivas econômicas relacionadas ao setor sucroenergético.

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