3 de novembro de 2026

Câmara Setorial do MAPA debate inclusão da cana na política de preços mínimos e desafios do setor

A inclusão da cana-de-açúcar na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), os impactos da escala 6×1 e as oportunidades para os biocombustíveis estiveram entre os principais temas da 69ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), realizada nesta terça-feira (3), em Brasília. O encontro foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto, que também preside a Asplan e a Unida.

Um dos principais encaminhamentos foi a proposta de Pedro Campos Neto para que o MAPA e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizem um estudo técnico sobre a inclusão da cana na PGPM. O objetivo é garantir maior segurança econômica aos produtores, especialmente diante dos custos de produção e das oscilações de mercado. Pedro destacou que, na safra 2025/2026, os preços recebidos pelos fornecedores nordestinos ficaram cerca de 30% abaixo do custo de produção. A proposta recebeu apoio do presidente da Feplana, Paulo Leal, e foi considerada pertinente pelo secretário de Política Agrícola do MAPA, Guilherme Campos, que participou da reunião.

A atualização do nome da Câmara também entrou na pauta. Pedro sugeriu a denominação Câmara Setorial da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, ampliando a representação da cadeia para contemplar produtos como etanol, metanol, biometano e outras fontes de energia. A proposta será submetida a contribuições dos integrantes.

As perspectivas do etanol também foram discutidas, incluindo a renovação da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina e o potencial do Bio Bunker, que utiliza etanol como combustível marítimo e abre possibilidades para novos mercados internacionais. Bruno Laviola, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, apresentou ainda a proposta do Cana Mais Conference, previsto para 8 de dezembro, com foco em pesquisa, inovação e aproximação entre a Embrapa e o setor produtivo.

Outro assunto foi a subvenção destinada aos produtores independentes do Nordeste. Pedro esclareceu que o benefício se refere à safra 2025/2026, marcada por preços abaixo do custo de produção, impactos do tarifaço dos Estados Unidos e aumento dos custos agrícolas.

Os efeitos de possíveis mudanças na jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 também mobilizaram os participantes. Mário Campos Filho, presidente da Bioenergia Brasil, chamou atenção para o possível aumento dos custos operacionais e a necessidade de ampliar o quadro de trabalhadores, especialmente nas atividades industriais de funcionamento contínuo. Pedro defendeu a construção de uma posição conjunta do setor, considerando as particularidades da atividade canavieira.

Ao final, foram aprovadas as datas das próximas reuniões: 31 de março, 12 de agosto e 3 de novembro de 2027. Pedro também convidou os integrantes para o evento Canasplan, promovido pela Asplan e pela Unida, em 27 de novembro, em João Pessoa, que contará com homenagens e a posse da nova diretoria da Asplan para o triênio 2026/2029.

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Informe Climático – Novembro de 2026

NOVEMBRO DE 2026

EL NIÑO ENTRA EM SUA FASE MAIS INTENSA E DEVE AUMENTAR SUA INFLUÊNCIA NO CLIMA DO NORDESTE

CLIMA - CONDIÇÕES ATUAIS

OCEANO PACÍFICO

Figura 01 – Previsão de anomalia da temperatura da água do mar sobre o Oceano Pacífico tropical, em 27/10/2026. Áreas em vermelho corresponde a aquecimento. Tons em vermelho escuro representativo a área de evolução do fenômeno El Niño. Fonte: CIIFEN.

O atual fenômeno El Niño passa para sua fase de maior intensificação e que deve atingir seu pico no final da estação da primavera ou início do verão no hemisfério sul.  Assim, seus impactos deverão ser mais observados durante o período mais chuvoso do semiárido nordestino e, posteriormente deverá afetar diretamente a pré estação chuvosa do litoral paraibano.

Nesta fase de amadurecimento, o fenômeno El Niño tem apresentado aquecimento muito acima da normalidade, quase o dobro dos seus antecessores, sendo classificado como um evento de categoria extrema, sendo o maior evento, em magnetude, já registrado na história.

Temos que, atualmente o aquecimento do fenômeno El Niño apresenta anomalias de temperaturas superfíciais, acima dos 07oC, próximo a costa oeste da América do Sul, e já evoluindo para valores próximos aos 06oC na parte central do Pacífico, e deve ampliar esses valores, gradativamente, no decorrer deste próximo bimestre.

Conforme podemos observar na figura 01, previsão trimestral, novembro/2026 a janeiro/2027, da evolução do aquecimento do El Nino, as perspectivas futuras apresentam o desenvolvimento de um evento El Niño tipo Canônico, ou seja El Niño padrão, de grande intensidade (extremo) e que deve impactar muito desfavoravelmente às chuvas sobre o Nordeste do Brasil (NEB) e deverá trazer aumento das temperaturas sobre toda região, com maior impacto previsto para a região semiárida e menor sobre o litoral do Nordeste do Brasil.

OCEANO ATLÂNTICO

Figura 02 – Anomalia da temperatura da superficiais do mar em 27/10/2026, sobre o Atlântico tropical. Tons em azul resfriamento e em vermelho, aquecimento. Fonte: https://www.tropicaltidbits.com

Com relação ao Oceano Atlântico tropical, figura 02, a Temperatura da Superfície do Mar (TSM), sobre a área oceânica da costa leste da América do Sul, tem apresentado um gradativo resfriamento, ou seja, aparecimento de anomalias negativas de temperatura (manchas em azul), e que, permanecendo nesta tendência, não deverão apresentar condições favoravéis ao clima do Nordeste do Brasil.

Sobre o Oceano Atlântico tropical, águas mais frias reduzem as instabilidades vindas do oceano para o continente e tornam as chuvas mais irregulares sobre a faixa litorânea do estado da Paraíba e consequentemente reduzem os totais observados e trazem ocorrência de verânicos sobre a região.

Assim, mantendo este resfriamento, esta condição deverá aumentar os impactos desfavoráveis à manutenção da nebulosidade e, poderá ampliar os efeitos do fenômeno El Niño.  Essa condição de resfriamento, tende a manter o tempo com menor nebulosidade e reduzir os totais das precipitações pluviométricas sobre a faixa litorânea da Paraíba, trazendo uma condição de chuvas, predominantemente, abaixo da média histórica.

TENDÊNCIA DO CLIMA

Figura 03 – Previsão da precipitação para o trimestre novembro/2026 a janeiro/2027. Modelo NCEP/Copernicus. Áreas em tons laranja/marrom indicam probabilidade de precipitações abaixo da média, em verde acima. Fonte: https://climate.copernicus.eu

Gradativamente, o clima sobre o Nordeste do Brasil começa a evoluir para o início climatológico da sua estação chuvosa, já neste próximo mês de novembro, com perspectivas de início do período chuvoso sobre o sul do Maranhão, Piauí e extremo oeste do estado de Pernambuco.

Mas, com o estabelecimento do fenômeno El Niño, e seus impactos desfavoráveis sobre todo o Nordeste do Brasil, é esperado um impacto negativo sobre o início deste período normal de chuvas e que deve influenciar diretamente na regularidade das precipitações e consequente redução dos totais esperados, no decorrer do período chuvoso.

Assim, conforme pode ser observado, que na maioria dos modelos de previsão climática, para o período de novembro/2026 a janeiro/2027, há uma tendência de maior probabilidade de que ocorram precipitações pluviométricas na categoria predominantemente abaixo da média, a exemplo do modelo de previsão de clima NCEP/Projeto Copernicus, figura 03, áreas em tons laranja/marrom, indicando maior defícit de chuvas sobre praticamente todo a região Nordeste do Brasil.

Deste modo, conforme esperado para este próximo trimestre, o avanço da influência do fenômeno El Niño, deverá atuar negativamente no padrão de qualidade e quantidade das chuvas sobre o Nordeste do Brasil, e também temos que o Oceano Atlântico tropical apresenta anomalias de temperaturas mais reduzidas, ou seja, um gradativo resfriamento, e que também é um fator preocupante para a regularidade das precipitações pluviométricas, principalmente sobre o litoral paraibano. 

Vale salientar que apesar do fenômeno El Niño ser um fator consolidado e de impactos negativos, a condição climática do Atlântico ainda não se consolidaram e pode variar no decorrer dos próximos meses.

Assim, sobre o setor leste do Nordeste do Brasil, em particular sobre a região do litoral paraibano, a pré-estação chuvosa começa em março com aumento representativo da climatologia e maior regularidade das chuvas, e também deverão sofrer o impactos da atuação do fenômeno El Niño. 

Deste modo, conforme perspectivas climáticas previstas para a região do litoral paraibano, o próximo trimestre novembro/2026 a janeiro/2027 deverá apresentar perspectivas de um período mais quente e seco que o normal e a atuação do fenômeno El Niño deverá aumentar as irregularidades no padrão de distribuição temporal e espacial das precipitações pluviométricas consolidando um perído com chuvas abaixo da normalidade.

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