CNA solicita que Ministério da Fazenda prorrogue dívidas de crédito rural de produtores do Nordeste

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cna ministerioOs produtores reivindicam repactuar acordo feito em 2011/20012. Principal argumento é a seca que assola a região desde 2011 que compromete a capacidade produtiva de pagamento dos agricultores

O presidente da Comissão da Região Nordeste na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) José Vieira, reuniu-se, na última quarta feira, (17), com representantes do Ministério da Fazenda para debater as questões da dívida de crédito rural da região Nordeste, que abrange contratos formalizados com o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco do Brasil (BB). A principal demanda do setor apresentada ao Ministério da Fazenda refere-se à prorrogação de todas as parcelas com vencimento previsto para 2015, sob o argumento de que a região vem sofrendo com uma estiagem prolongada desde início de 2011, reconhecida inclusive pelo poder publico que já adotou outras medidas emergenciais de apoio aos produtores da região. Atualmente, existem mais de 1,6 milhão de contratos de dívidas com o Banco do Nordeste e BB.

O presidente da Associação dos Plantadores da Cana da Paraíba (ASPLAN), Murilo Paraíso, lembra que qualquer aceno do governo federal no sentido de prorrogar dívidas neste momento será muito bem-vindo. “A seca prolongada comprometeu a capacidade produtiva, principalmente para pagamento das dívidas porque o que o agricultor colhe, quando colhe, não cobre nem as despesas da produção. No caso do setor canavieiro, tivemos perdas entre 30% e 40% da produção por causa da seca. Dos 223 municípios da Paraíba, hoje, 25 cidades estão em colapso total de abastecimento e outros 55 municípios enfrentam um rigoroso racionamento”, destaca Murilo, lembrando que a ANA proibiu a irrigação e que a pouca água que resta nos reservatórios só pode ser usada para consumo humano. “A situação é de calamidade. Está faltando água até no Brejo da Paraíba, região que historicamente tinha grandes reservas hídricas”, lembra Murilo.

Segundo José Vieira, as chuvas ocorridas em algumas regiões do NE não amenizaram o problema, o que torna necessário medidas urgentes para evitar que produtores rurais dessa região sofram ainda mais com execuções que podem levar suas propriedades a leilão.  “A gravidade do problema também pode ser sintetizada no exemplo do Rio Grande do Norte, com 167 municípios dos quais 152 estão em estado de emergência e 20 em colapso, com perdas no setor rural que podem chegar a 90% da produção da castanha para exportação, além das perdas na produção de mel e a pecuária que vem sofrendo ao longo desses anos”, disse o presidente da Comissão da Região Nordeste na CNA.