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Informe Climático – Maio de 2024

Nº 04/2024 - 02 DE MAIO DE 2024

ABRIL FECHA COM TOTAIS ACIMA DA MÉDIA EM TODO O LITORAL PARAIBANO E PERSPECTIVAS CLIMÁTICAS APONTAM PARA TRIMESTRE ACIMA DA MÉDIA

PRECIPITAÇÕES PLUVIOMÉTRICAS – ABRIL/2024

Figura 01 – Precipitação acumulada no período de 01/04 a 30/04/2023. Fonte: www.aesa.pb.gov.br

Climatologicamente, o mês de abril é considerado o primeiro mês do quadrimestre mais chuvoso do setor leste do Nordeste e em particular das regiões do Agreste, Brejo e Litoral do estado da Paraíba.

Desde janeiro de 2024, as precipitações sobre a todo o estado da Paraíba tem tido comportamento acima da média em todas as regiões do estado. Seguindo essa tendência, o mês de abril também apresentou precipitações acima da média, no acumulado do mês.

Em boa parte do estado, as precipitações ultrapassaram os 400,0 mm mensais, e grande parte das maiores precipitações pluviométricas foram registradas no litoral norte do estado, com totais mais representativos em Lucena: 420,6 mm, Baía da Traição: 328,2 mm, Cabedelo: 320,4 mm e Rio Tinto: 301,7 mm.

Conforme dados registrados no decorrer do ano de 2024, tabela 01, foi observado que todas as regiões do estado, no decorrer de 2024, apresentaram totais acumulados acima da média, com índices que já ultrapassaram os 50% do esperado para o ano, nas regiões do Cariri/Curimataú: 64,4% acima da média e na região do Agreste com precipitações acumuladas que chegaram a 51,3 % acima da média. Já no litoral paraibano, apesar de contabilizar apenas abril, como primeiro mês do período mais chuvoso da região (quadrimestre abril a julho), os totais registrados no ano já ultrapassaram a média histórica em 13,1%, acumulando, em média na região, o total de 670,9 mm.

Tabela 01 – Totais observados por mês e acumulado do ano para o período de 01 janeiro a 30 abril/2024.

TENDÊNCIA CLIMÁTICA

Figura 02 – Anomalias de temperatura da superfície do mar – 01/05/2024 (Em azul, anomalias de temperaturas abaixo da média, em vermelho acima). Fonte: https://www.senamhi.gob.pe

O início do período mais chuvoso sobre o litoral paraibano, também marcou o início do resfriamento das Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) sobre o Oceano Pacíficio Tropical, próximo a costa oeste da América do Sul, evoluindo assim, com o começo da atuação do fenômeno La Niña, figura 02.

Assim, sobre a costa oeste da América do Sul, as TSM sobre as áreas do Niño 1+2, Niño 3 e Niño 3.4 já apresentam anomalias negativas de temperatura. Este quadro de estabelecimento do fenômeno La Niña favorece as condições climáticas para evolução do bom andamento do período chuvoso sobre o setor leste do Nordeste do Brasil (NEB) em particular sobre todo o litoral paraibano.

Com relação ao Oceano Atlântico tropical, as temperaturas da superfície do mar permanecem aquecidas, ou seja, anomalias positivas de temperatura e, com isso, as condições oceano-atmosfera permanecem favoráveis a evolução das precipitações pluviométricas em todas a faixa leste do NEB, em particular sobre o estado da Paraíba.

Deste modo, com o resfriamento progressivo das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Tropical, evoluindo para o pleno estabelecimento do fenômeno La Niña e com a permanência do aquecimento do Atlântico tropical, que induz instabilidades atmosféricas para todo o setor leste, há convergência de condições climáticas para evolução, de que o próximo trimestre, apresente tendência de manutenção das precipitações pluviométricas na categoria de normal a acima da média, em toda a faixa litorânea da Paraíba e regiões adjacentes (Brejo e Agreste).

Figura 03 – Previsão da precipitação de 01/05 a 31/05, modelo BAM 1.2 CPTEC/INPE (Áreas em tom azul indica precipitações acima a média e em vermelho abaixo. Fonte: CPTEC/INPE

Com o advento do período chuvoso sobre o litoral do Nordeste do Brasil (NEB), quadrimestre de abril a julho, as precipitações, sobre o setor leste do estado da Paraíba, se tornam, gradativamente, muito mais regulares e com totais acumulados mais representativos.

Apesar do mês de maio, apresentar condições climáticas de transição entre os sistemas meteorológicos atuantes na região, a exemplo da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e, este mês normalmente ser característico de irregularidades, as condições de maior aquecimento das TSM do Atlântico Tropical, e a condição de ventos favoráveis, devem trazer maior regularidade das precipitações pluviométricas sobre o litoral nordestino.

Assim, para o mês de maio, conforme às perspectivas dos resultados de previsão da evolução da precipitação pluviométrica, de diversos modelos, e de acordo com resultado do modelo BAM 1.2 CPTEC/INPE, exemplo Figura 03, as precipitações pluviométricas acumuladas para o mês, deverão continuar com totais acumulados predominatemente acima da média. Conforme o resultado do modelo, há tendência de 60 a 90 mm de de variabilidade de anomalias positivas, ou seja, tendência das precipitações do mês ficaram em torno de 30% acima do esperado.

Neste mês de maio, as temperaturas permanecerão em redução, conforme se estabelece a estação do outono, com com previsão de temperatura mínima podendo chegar aos 20oC e máxima de 31oC.

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Informe Climático – Março de 2024

Nº 03/2024 - 21 DE MARÇO DE 2024

FENÔMENO LA NIÑA COMEÇA A SE ESTABELER E MODELOS CLIMÁTICOS APONTAM TRIMESTRE COM CHUVAS ACIMA DA MÉDIA SOBRE A FAIXA LITORÂNEA DA PARAÍBA

CLIMA - CONDIÇÕES ATUAIS

Figura 01 – Anomalia da Superfície do mar sobre os Oceanos Pacífico e Atlântico – 20/03/2024.  Em azul resfriamento e vermelho aquecimento.

 (Fonte: Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología del Perú – SENAMHI).

Gradativamente as condições climáticas sobre os oceanos Pacífico e Atlântico Tropical continuam evoluindo favoravelmente e apresentando configurações vantajosas ao período mais chuvoso do litoral paraibano, que compreende o quadrimestre abril a julho, onde, normalmente, se concentra mais de 60% do total de precipitação pluviométrica esperado para o ano.

Com relação as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), sobre o Oceano Pacífico Tropical já se observa áreas com anomalias negativas da TSM dando indicativo do fim do fenômeno El Niño e o ínicio do estabelecimento de um padrão de neutralidade a evolução de um fenômeno La Niña (tons azuis sobre as áreas do Niño 1+2 e Niño 3 – indicados pelas setas vermelas), conforme se observa na figura 01.

Sobre o Oceano Atlântico tropical, retângulo tracejado, figura 01, as TSM sobre a área oceânica da costa leste da América do Sul, continuam apresentando anomalias positivas, ou seja, águas mais aquecidas e com temperaturas bem acima da média e que estão modulando favoravelmente o clima sobre o litoral nordestino, em particular sobre o litoral paraibano, regiões do Agreste, Brejo e Litoral, onde se observa boa regularidade das precipitações e totais se mantendo, neste ano de 2024, acima da média histórica e com muita representatividade para toda a região.

Assim, as condições climáticas consolidam o fim do fenômeno de El Niño, já com resfriamento de temperaturas sobre a bacia do Oceano Pacífico tropical e que já caracteriza a transição do padrão de neutralidade para a evolução contínua e favorável do surgimento do fenômeno La Niña.

TENDÊNCIA CLIMÁTICA

Figura 02 – Anomalia de tempertura da superfície do mar sobre o Oceano Atlântico tropical – 17/03/2024. Fonte: www.funceme.br

O mês de março, considerado climatologicamente a pré estação do período mais chuvoso sobre o litoral do Nordeste do Brasil, em particular sobre o litoral paraibano, tem apresentado boa regularidade das precipitações e totais que se tem mantido acima da média histórica. 

Assim, com a caracterização do fim do fenômeno El Niño, e o resfriamento das temperaturas da superfície do mar, inicialmente sobre a área do Niño 1+2 (costa oeste da América do Sul) e Niño 3, e, com a permanência do aquecimento das TSM sobre o Oceano Pacífico Tropical, figura 02, a atmosfera continuará respondendo favoravelmente a evolução do período mais chuvoso sobre o litoral nordestino e os modelos climáticos convergem para previsões favoráveis a manutenção das precipitações para o próximo trimestre.

Figura 03– Previsão da anomalia de precipitação pluviométrica sobre a América do Sul para o trimestre abril a junho.  Tons em verde indicam probabilidades de precipitações pluviométricas na categoria acima da média.  Fonte: Institutos IRI (EUA) e ECMWF (Europeu).

Deste modo, com o estabelecimento das condições favoráveis sobre as bacias dos Oceanos Atlântico e Pacífico, as presperctivas climáticas para o próximo trimestre, sobre o litoral paraibano, apresentam condições predominantes de tendência de totais pluviométricos com precipitações de na categoria de normal a acima da média.

Os modelos observados na figura 03, apresentam resultados de previsão de clima consolidados e com grande credibilidade científica, a esquerda o modelo do International Research Institute for Climate and Society (EUA) e a direita do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (Europa) e ambos prevêem, sobre a Nordeste do Brasil, indicativos favoráveis, com maior probabilidade de ocorrência de precipitações pluviométricas na categoria de normal a acima da média histórica, hachurados em tons verdes.

TENDÊNCIA DO TEMPO

Figura 04– Previsão da anomalia de precipitação pluviométrica sobre a América do Sul para o período de 01 a 15 de abril. Tons em azul indicam precipitações acima da média, em vermelho abaixo.  Fonte: CPTEC/INPE.

Com a evolução do período mais chuvoso do Nordeste do Brasil (NEB) e considerando o mês de abril, o primeiro mês da quadra chuvosa  (abril a julho) do setor leste do NEB, as precipitações devem evoluir com maior intensidade e melhor regularidade, caracterizando com totais acumulados sobre a faixa litorânea da Paraíba que ultrapassam, a climatologia dos 300,0 mm mensais no total acumulado do mês de abril.  

Conforme indicativos de diversos modelos de previsão do tempo à médio prazo, e de acordo com a influência favorável da passagem da Oscilação de Madden & Julian (oscilações transientes), para esta primeira quinzena de abril, os modelos estão prevendo que as precipitações pluviométricas sobre o NEB, apresentem totais de normal a acima da média, conforme exemplo do resultado do modelo regional do CPTEC/INPE. 

Particularmente para o litoral paraibano, as pecipitações devem oscilar de normal a acima da média e poderemos ter precipitações de intensidade moderada a forte, principalmente nesta primeira quinzena do mês de abril, reforçando assim a influência das tempeturas mais aquecidas sobre o Oceano Atlântico Tropical e a passagem favorável da Oscilação de Madden & Julian sobre o Nordeste do Brasil

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Informe Climático – Fevereiro de 2024

Nº 02/2023 - 12 DE MAIO DE 2023

PRECIPITAÇÕES NO LITORAL SEGUEM ACIMA DA MÉDIA E PRÓXIMO TRIMESTRE SERÁ MARCADO PELO INÍCIO DA ATUAÇÃO DO FENÔMENO LA NIÑA

PRECIPITAÇÕES PLUVIOMÉTRICAS – JANEIRO E FEVEREIRO/2024

Figura 01 – Precipitação acumulada no período de 01/01 a 31/01/2024. Fonte: www.aesa.pb.gov.br

Sobre o estado da Paraíba, as precipitações registradas em janeiro/2024 apresentaram totais predominantemente acima da média histórica, principalmente sobre o setor leste do estado, regiões do Litoral, Agreste e Brejo. Apesar do setor leste estar em pleno período normal de estiagem, em janeiro/2024 as precipitações se comportaram de forma regular e com totais que ultrapassaram os 150,0 mm, em Mataraca: 180,6 mm e João Pessoa: 174,4 mm, com desvios que chegaram respectivamente a 73,3% e 117,7% acima da média, praticamente o dobro do esperado para todo o mês de janeiro. Diversos municípios do litoral paraibano obtiveram índices acima da média e podem ser observados, totais acima de 100,0 mm, na tabela 01 a seguir: Tabela 01 – Totais observados em Janeiro de 2024 (acima 100 mm) – Setor leste da Paraíba

Em fevereiro, as precipitações pluviométricas continuaram, sobre o setor leste da Paraíba, com ocorrência de precipitações representativas e no período de 01 a 20 de fevereiro de 2024 já ultrapassaram os 100,0 mm e com totais permanecendo acima da média histórica, com maiores índices nos Muncípios do Conde: 153,5 mm (41,2% acima da média), Rio Tinto: 141,7 mm (34,7% acima da média), João Pessoa: 111,4 mm (10,2% acima da média) e Mamanguape: 104,4 mm (7,3% acima da média), índices bem representativos para o mês e que refletem uma condição muito favorável da atmosfera sobre o litoral nordestino, em particular sobre litoral paraibano.

TENDÊNCIA CLIMÁTICA

Figura 02 – Previsão da Temperatura da Superfície do Mara para trimestre março a maio (Áreas em tom azul indica temperaturas abaixo da média e em vermelho acima). Fonte NCEP/NOAA

Com o fim do fenômeno El Niño e o estabelecimento de um padrão de neutralidade, sobre o Oceano Pacífico Tropical, a atmosfera responde favoravelmente a evolução regular das precipitações sobre o Nordeste do Brasil (NEB) e assim, cessa a influência negativa sobre o clima na região, principalmente sobre o impacto da redução das precipitações. Com isso, a grande influência sobre o clima no NEB, principalmente sobre a faixa litorânea da Paraíba, passa a depender das condições predominantes sobre o Oceano Atlântico Tropical, particularmente sobre as condições da temperatua sobre o Oceano Atlântico. Assim, com a continuidade do aquecimento das Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) sobre o Atlântico Tropical, principalmente sobre a costa leste do estado da Paraíba, há um aumento do transporte de umidade do oceano para o continente e que contribuem para manutenção das precipitações pluviométricas na região e consequente melhoria do quadro de chuvas em todo o setor leste da Paraíba (regiões do Litoral, Agreste e Brejo). Assim, as perspectivas evoluem para o favorecimento climático e conforme a figura 02, deveremos já neste próximo trimestre, observar o estabelecimento do fenômeno La Niña sobre o Oceano Pacífico Tropical, com o surgimento de águas mais frias na porção leste do oceano (retângulo tracejado preto). Com isso, a atmosfera deverá responder mais favoravelmente e as precipitações devem melhorar qualitativamente.

Figura 03 – Previsão probabilista da precipitação sobre os tropicos. Fonte European Centre for Medium-Range Weather Forecasts.

Deste modo, diversos modelos de previsão climática já apontam para um trimestre com precipitações na categoria normal a acima da média. Conforme figura 03, retângulo tracejado verde, modelo do Centro Europeu de Previsão do Clima, há tendências favoráveis, apresentando probabilidades de 50 a 70% de ocorrência de precipitações na categoria acima da média para um trimestre março, abril e maio, refletindo, assim, o favorecimento atmosférico sobre o Nordeste do Brasil, com o estabelecimento do fenômeno La Niña e a permanência de águas mais aquecidas sobre o costa leste do Nordeste do Brasil.

TENDÊNCIA TEMPO

Figura 04 – Previsão da precipitação de 21/02 a 29/02/2024 (Áreas em tons verde indicam precipitações acima da média, em marron abaixo). Fonte: https://www.cpc.ncep.noaa.gov

Apesar do mês de fevereiro ainda estar enquadrado, climatologicamente, como período normal de estiagem sobre o litoral paraibano, e os índices pluviométricos tenderem a baixa magnetude, o ocorrência de precipitações pluviométricas tem se comportando de forma regular e com totais acumulados de normal a acima da média. Assim, com a permanência do aquecimento das TSM sobre o Oceano Atlântico tropical e o favorecimento das condições de vento no litoral, a tendência é que neste final do mês de fevereiro as precipitações continuem de forma regular e permanecendo com totais acumulados acima da média histórica, conforme previsão do modelo do NCEP/NOAA (EUA), de acordo com resultados convergentes para a categoria acima da média (tons em verde). Assim, espera-se, com essa tendência, a continuidade das precipitações pluviométricas neste final do mês de fevereiro e início do mês de março, quando climatologicamente se dá o início da pré estação chuvosa sobre o litoral paraibano e, normalmente, com essa nova fase, há um aumento da intensidade das precipitações sobre a região.

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