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Informe Climático – Janeiro de 2024

Nº 01/2024 - 11 DE JANEIRO DE 2024

PERSPECTIVAS CLIMÁTICAS INDICAM FIM DO EL NIÑO E MELHORIA DAS PREVISÕES CLIMÁTICAS SOBRE O LITORAL PARAIBANO

CLIMA - CONDIÇÕES ATUAIS

Figura 01 – Modelo de previsão da temperatura a superfície do mar para os Oceanos Pacífico e Atlântico – semana de 14 a 20 de janeiro (tons em azul representam temperatura da água abaixo da média, em vermelho acima e branco neutro).

Fonte: Australian Bureau of Meteorology.

Neste início do ano de 2024, consolida-se a dissipação do fenômeno El Niño com o aumento das áreas de resfriamento da Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) em praticamente toda a sua bacia tropical do Oceano Pacífico, caracterizando o fim da atuação do fenômeno El Niño, principalmente dos seus impatos desfavoráveis ao período chuvoso do Nordeste do Brasil (NEB).

Conforme, modelagem da previsão da TSM sobre os oceanos Pacífico e Atlântico, figura 1, retângulo tracejado preto, as perspectivas para a semana de 14 a 20 de janeiro/2024 é de estabelecimento de um progressivo resfriamento em uma grande área do Oceano Pacífico Tropical sul e que reverte, climatologicamente, todas as perspectivas e previsões climáticas desfavoráveis sobre o período mais chuvoso do Nordeste do Brasil (NEB) e, principalmente os impactos desfavoráveis, em particular, sobre as precipitações pluviométrica sobre o litoral paraibano.  Assim, com uma nova condição climática consolidada, a atmosfera e a maioria dos modelos já respondem com perspectivas favoráveis ao aumento dos totais pluviométricos e a melhoria gradativa da regularidade da precipiação.

Ainda pela previsão do modelo do Departamento Australiano de Meteorologia, figura 01, com relação a bacia do Atlântico Tropical sul, retângulo tracejado vermelho, as perspectivas para o período é de que as TSM aumentarão as anomalias positivas, ou seja, o Atlântico continuará aquecendo e, assim, sobre a bacia do Atlântico tropical está caracterizado um estabelecimento contínuo de águas mais quentes sobre a costa leste do litoral nordestino. 

Deste modo, a permanência do aquecimento sobre as TSM do Atlântico, induzem o aumento das instabilidades e que potencializam uma maior quantidade de ocorrência de precipitações pluviométricas sobre a faixa litorânea e áreas adjacentes e também melhoram a regularidade da precipitação sobre o litoral paraibano e áreas adjacentes.

Assim, a consolidação do fim do fenômeno El Niño apresenta melhores condições climáticas para o período mais chuvoso da região semiárida no Nordeste do Brasil, período de fevereiro a maio, e com a associação da evolução de temperaturas mais quentes sobre o Atlântico Tropical, devem colaborar para um horizonte de previsões mais favoráveis para o setor leste da Paraíba, regiões do Agreste, Brejo e Litoral para o período de abril a julho, quadrimestre mais chuvoso.  Tais condições devem regularizar a pré-estação chuvosa do litoral com precipitações pluviométricas mais regulares durante este período, apesar da climatologia com valores menos representativos neste período, mas que neste bimestre converge para ocorrência de precipitações de normal a acima da média em todo o litoral paraibano e área adjacentes.

Por outro lado, com o aquecimento do Oceano Atlântico tropical, as instabilidades sobre o litoral paraibano devem induzir o aumento das instabilidades na faixa litorânea e aumentar as perspectivas de precipitações pluviométricas na região.

TENDÊNCIA TEMPO E CLIMA

Figura 02– Previsão de probabilidade de precipitação pluviométrica sobre o Brasil para o mês de janeiro/2024.  Tons em verde indicam probabilidade de precipitações pluviométricas acima da média.  Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia.

Em virtude da evolução favorável das condições climáticas sobre os Oceanos Pacífico e Atlântico, principalmente, resfriamento das temperaturas da superfície do mar sobre o Pacífico tropical e aquecimento sobre o Atlântico tropical sul, os modelos climáticos, na sua grande maioria, apresentam resultados favoráveis as precitações pluviométricas na categoria de normal a acima da média. 

Assim, conforme figura 01, modelo de previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia, para o mês de janeiro de 2024, o mesmo indica a previsibilidade de maior probabilidade de precipitações na categoria acima da normal para o mês de janeiro, ou seja, precipitações pluviométricas acima da média, tons em verde em praticamente todo o Nordeste do Brasil.

Assim, o mês de janeiro consolida-se com precipitações pluviométricas com maior tendência de ocorrência na categoria acima da média. 

Deste modo, no estado da Paraíba, esta tendência deverá refletir em precipitações na categoria de normal a acima da média na região semiáriada do estado.  Predominantemente, sobre as regiões do Litoral Paraibano, Agreste e Brejo as pespectivas também devem oscilar em precipitações na categoria acima da média para o mês de janeiro, com previsão de um período mais representivo de precipitações no último decêndio do mês de janeiro.

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Informe Climático – Dezembro de 2023

Nº 09/2023 - 12 DE DEZEMBRO DE 2023

FENÔMENO EL NIÑO ENFRAQUECE E MODELOS CLIMÁTICOS JÁ INDICAM MUDANÇAS FAVORÁVEIS NA PREVISÃO DA PRECIPITAÇÃO

CLIMA - CONDIÇÕES ATUAIS

Figura 01 – Variação da anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) – Variação de 06/12/2023 menos 08/11/2023. Em azul resfriamento e vermelho aquecimento.
(Fonte: www.funceme.br).

Gradativamente as condições climáticas sobre os oceanos Pacífico e Atlântico Tropical estão evoluindo favoravelmente e induzindo melhoria das previsões climáticas sobre o Nordeste do Brasil, com um quadro de permanência do enfraquecimento do fenômeno El Niño e um gradativo aquecimento das águas superfíciais do Oceano Atlântico tropical sul.

De acordo com a figura 01, da variação da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) dos Oceanos Pacífico e Atlântico Tropical, há evidentes mudanças na configuração climática na bacia do Oceano Pacífico nos últimos trinta dias. As condições da TSM reduziram gradativamente em praticamente toda a bacia centro oeste do Oceano Pacífico (retangulo tracejado azul), contribuindo assim para a diminuição das anomalias de temperatura fenômeno El Niño e indicando o gradativo enfraquecimento do fenômeno. Com relação a bacia do Atlântico Tropical Sul, retângulo tracejado vermelho, nas últimas duas semanas, as TSM aumentaram gradativamente as anomalias positivas, e estão caracterizando um estabelecimento contínuo de águas mais quentes sobre o litoral nordestino, induzindo o aumento das instabilidades sobre o Oceano Tropical e que podem produzir uma maior quantidade de ocorrência de precipitações pluviométricas sobre a faixa litorânea e áreas adjacentes, ainda em 2023.

Assim, estas condições consolidam a redução do fenômeno de El Niño, com maior resfriamento sobre o setor oeste e permanencia do aquecimento na parte central da bacia, embora tenha também reduzido as TSM nos últimos 30 dias, o que ainda caracteriza e evidência as perspectivas de um fenômeno El Niño na categoria Modoki, que normalmente, é favorável a evolução das precipitações no Nordeste do Brasil.

Por outro lado, com o aquecimento do Oceano Atlântico tropical, as instabilidades sobre o litoral paraibano devem induzir o aumento das instabilidades na faixa litorânea e aumentar as perspectivas de precipitações pluviométricas na região.

TENDÊNCIA TEMPO E CLIMA

Figura 02 – Anomalia de tempertura da superfície do mar sobre as regiões de atuação do fenômeno El Niño. Fonte: Climate Prediction Center / NCEP – relatório de 11/12/2023

Nesta última semana, como indicativo do monitoramento do enfraquecimento do fenômeno El Niño, áreas de 1 a 4, representativas no Oceano Pacífico as áreas do Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4, todas as regiões de monitoramento apresentaram queda nas anomalias de temperatura (setas vermelhas), indicando uma perda de calor em praticamento todo o Oceano Pacífico Tropical (figura 02), com reduções em torno de 1oC de perda de calor na região.

Assim, o fenômeno El Niño, nas duas útlimas semanas vem perdendo muita energia, reduzindo sua temperatura, principalmente na área do Niño 1+2 e assim, reduzindo o transporte de calor que ocorrre normalmente de oeste para leste. Essa tendência de enfraquecimento já se consolida e o fenômeno deverá permanecer em constante declínio ao longo de todo esse próximo bimestre, passando para um padrão de neutralidade e posteriormente um possível resfriamento na região, começando a configurar um novo fenômeno (La Niña).

Assim,. de acordo com essas análises, os modelos de previsão de temperatura da superfície do mar, figura 03, já indicam o fim do fenômeno El Niño para meados de março e até o prenúncio de um fenômeno La Niña ainda dentro de periodo mais chuvoso do setor leste do Nordeste do Brasil, em particular sobre a faixa leste do estado da Paraíba.

Ainda conforme a figura 03, o indicativo de um resfriamento sobre o costa oeste da América do Sul, já traria o indicativo da evolução do fenômeno La Niña e que passaria a contribuir favoravelmente nas previsões de um perído de precipitações pluviométricas mais regulares sobre o Nordeste do Brasil, em particular sobre o litoral paraibano dentro do seu período mais chuvoso, quadrimestre de abril a julho.

Figura 03 – Previsão da anomalia de tempertura da superfície do mar sobre o Oceano Pacífico tropical. Fonte: Climate Prediction Center / NCEP.
Figura 04– Previsão da anomalia de precipitação pluviométrica sobre a América do Sul para o período de 16 a 22 de dezembro. Fonte: Australian Bureau of Meteorology.

Conforme indicativos de diversos modelos de previsão do tempo para longo prazo, e de acordo com a influência da passagem favorável da Oscilação de Madden & Julian, os modelos estão prevendo uma mudança no quadro de evolução das precipitações pluviométricas, já nesta segunda quinzena de dezembro. Conforme exemplo da figura 04, há perspectivas de aumento das precipitações em toda faixa centro leste do Nordeste (manchas em tons verdes) com perspectivas de um período estendido e com precipitações acima da média. A evolução desse sistema se configura nos principais modelos de previsão e podem indicar um período mais prolongado de precipitações.

Apesar do setor leste do Nordeste do Brasil estar em pleno periodo normal de estiagem, também estão previstas boas probabilidades de precipitações pluviométricas representativas inclusive no litoral nordestino, e, em particular, sobre o litoral paraibano.

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Informe Climático – Outubro de 2023

Nº 08/2023 - 26 DE OUTUBRO DE 2023

FENÔMENO EL NIÑO EVOLUI COM MENOR INTENSIDADE E SEUS IMPACTOS DEVEM REDUZIR NO DECORRER DE 2024

CLIMA - CONDIÇÕES ATUAIS

Figura 01 – Anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) em 26/10/2023. (Fonte: Tropicaltidbits.com).

Sobre o Oceano Pacíficio Tropical, o fenômeno El Niño apresenta lenta evolução e anomalias pouco representativas em relação ao previsto pela grande maioria dos modelos.  Assim, temos que as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) evoluiram aquém do esperado e modula-se um evento com temperaturas em torno de 2,5oC, acima da média, próximo a área do Niño 3.4 (área central do Oceano Pacífico).

Gradativamente às TSM mais aquecidas, do que a média, estão se distribuindo mais para parte central do Oceano Pacífico Tropical evoluindo assim, para um padrão de um El Niño não Canônico, ou seja, não configurando um El Niño padrão e sim um evento classificado como Modoki, com estabelecimento e atuação prevista para final de novembro.

Assim, o atual evento de El Niño gradativemente se desconfigura, dando evolução ao padrão El Niño Modoki que, como efeito direto, promove evoluções favoráveis à precipitações pluviométricas sobre o Nordeste do Brasil (em que ainda transcorre o período normal de estiagem) e também tem caracteristicas de induzir a condição de estiagem na região Amazônica, como de fato está ocorrendo e impactos favoráveis particularmente no setor leste do Nordeste do Brasil (NEB).

Com relação a bacia do Atlântico Tropical, costa leste da América do Sul, a Temperatura da Superfície do Mar ainda predomina com anomalias negativas de TSM, o que é desfavorável a geração de instabilidades para a atmosfera, e que mantêm o tempo com reduzida nebulosidade e sem ocorrência de precipitações, apenas fracas e passageiras.

TENDÊNCIA TEMPO E CLIMA

Figura 02 – Anomalia semanal de temperatura da superfície do mar, com relação a média global período de 21 a 26/10/2023. Áreas circuladas em azul indicam tendência de temperaturas abaixo da média e em vermelho acima. Fonte: www.tropicaltidbits.com

Neste período normal de estiagem sobre o Nordeste do Brasil, no decorrer de praticamente toda a primavera, o clima terá a influência do fenômeno El Nino, mas as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) não estão evoluindo para a configuração de um evento mais representativo e começaram a apresentar uma sensível redução das TSM, nestas últimas semanas, conforme indicativo da figura 02, mostrando um resfriamento em praticamente toda a área de atuação do fenômeno ENOS, com anomalias negativas de TSM ao longo do Ocenao Pacífico tropical leste. 

Deste modo, a tendência climática é que o fenômeno ENOS continue a enfraquecer, em intensidade média e área de atuação, e conforme já previsto o fenômeno ENOS não deverá evoluir plenamente no decorrer do ano de 2024. 

Na figura 02, no quadro azul, pode ser observado que as anomalias de temperatura da superfície do mar estão negativas em praticamente toda a bacia tropical do Pacífico, e no Atlântico tropical, quadro vermelho há um indicativo de aquecimento sobre a bacia tropical leste, e que permanecendo assim, deverá evoluir favoravelmente para a melhoria da qualidade das precipitações pluviométricas no período mais chuvoso da região e deve favorecer o ínicio do período chuvoso do setor leste, desde que, esta tendência, permaneça com essa configuração.

Deste modo, essa oscilação de redução registrada na TSM, no decorrer dessa última semana do mês de outubro, converge com a redução das anomalias de temperatura sobre águas superfícias no Oceano Pacífico tropical e que deve causar uma redução da área de evolução do fenômeno.

Assim, com a mudança gradativa da evolução do fenômeno El Niño sobre a bacia do Pacífico, embora muito lenta e com variações, vislumbra-se uma condição climática com um quadro de melhores perpectivas climáticas para o período mais chuvoso de 2024.

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