Especialista diz que setor sucroalcooleiro do NE pode recuperar 16 milhões de toneladas de cana e 70 mil empregos perdidos nos últimos 20 anos

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mario evento2A informação é do consultor especialista em questões do setor sucroalcooleiro, Gregório Maranhão, que ministrou uma palestra na Asplan tratando da crise do setor no NE

A crise do setor sulcroalcooleiro provocada, principalmente, pela falta de políticas publicas capazes de fixar preços justos de combustíveis e estimular a produção de cana-de-açúcar no país, levou a Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) a promover, nesta quinta-feira (30), duas palestras que deram importantes contribuições em termos de perspectiva política, econômica e climática para o setor. O evento reuniu diversos produtores e dirigentes industriais do Estado, no auditório da Asplan, em João Pessoa. O primeiro momento foi comandado pelo consultor especialista em questões do setor sucroalcooleiro, Manoel Gregório Maranhão, que tratou da crise política e econômica do segmento, com ênfase no Nordeste.

Gregório Maranhão falou da crise, do desemprego no Nordeste e do recém-criado comitê de recuperação do segmento em Brasília. Em sua explanação, o consultor disse que o setor no Nordeste precisa recompor 16 milhões de toneladas de cana perdidas nos últimos 20 anos devido à queda da produtividade na região. “Tínhamos uma produção de 70 milhões de toneladas de cana e hoje temos 54 milhões. O setor cresceu 20% no ano passado no Centro/Sul, mas no Nordeste encolheu 25%. Isso também representa 70 mil empregos perdidos que podem ser recuperados se o setor tiver apoio para se recompor. A fábrica da Fiat, em Pernambuco, emprega muitas pessoas agora na construção de seu parque, mas esse desenvolvimento é ameaçado, porque quando tudo estiver pronto, a Fiat não vai empregar nem 10% dessas pessoas e o setor sucroalcooleiro tem capacidade para geração de muitos empregos e isso precisa ser disseminado para sensibilizar as autoridades”, disse Gregório, abrindo sua palestra.

O especialista continuou, no entanto, dizendo que o setor pode ter esperanças, pois o governo federal acaba de criar o que chamou de Comitê Temático Interinstitucional para Recuperação do Setor Sucroenergético da Região Nordeste. O Investimento em inovação, o aumento da produção, o elevado endividamento das empresas e baixo nível de mecanização e modernização tecnológica, devem ser temas constantes nas reuniões do Comitê, criado pelo Ministério da Integração Nacional (MI) e integrado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – Sudene, setor industrial, fornecedores de cana-de-açúcar, Contag, Banco do Brasil, BNB, BNDES e Ministérios da Integração (MI), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Fazenda (MF) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

“Vamos anunciar a existência desse comitê para sociedade e cobrar do governo ações de recuperação do setor. Vamos aproveitar a oportunidade e colocar tudo na mesa a anunciar a oferta dos empregos perdidos. O setor está pronto para ter 70 mil novos empregos anunciados, nos oito estados do Nordeste, só precisa de incentivo”, afirmou Gregório. Ele também defendeu a permanência da subvenção econômica do setor e a presença de uma agência reguladora. Para ele, esses assuntos também devem ser levados ao Comitê. “Essa subvenção deveria ser permanente e não favor político. Ela deveria ser respaldada em lei porque só assim o setor nordestino consegue competir com o centro-sul”, destacou o especialista, conclamando o segmento a dar “status” ao Comitê criado.

Ao final do evento, a diretoria da Asplan, representada na ocasião pelo seu presidente, Murilo Paraíso, pelo seu vice, Pedro Jorge Coutinho; pelo Diretor Adjunto, José Inácio de Morais; pelo Diretor Tesoureiro, Oscar de Gouvêa e pelo Diretor Secretário, Raimundo Nonato, agradeceu as informações repassadas pelo consultor. “Temos uma missão agora que é a de fazer um projeto de recuperação do setor. Ano passado tivermos dois problemas: a seca e o preço da cana muito baixo. Este ano não temos mais seca, mas temos o preço que continua sem remunerar bem o produtor. Vamos acreditar e ir à luta”, declarou José Inácio de Morais, encerrando a palestra.