Evento da SRTE confirma evolução do trabalho no campo e melhorias significativas para o trabalhador canavieiro

“O trabalhador canavieiro teve uma evolução significativa nos últimos anos  em relação ao respeito aos seus direitos como profissional, em melhorias nas condições de atuação no campo e também em sua remuneração”. Essa afirmativa do professor do Instituto Federal de Educação da Paraíba e doutorando em Geografia pela UFPB, Ericson da Nóbrega foi feita na manhã desta quarta-feira (14), durante evento da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado da Paraíba (SRTE). Realizado no auditório da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), o encontro anual teve a participação de trabalhadores, empresários, estudantes, líderes sindicais, além de técnicos e engenheiros do Trabalho da SRTE-PB e ainda premiou entidades e profissionais que contribuíram para melhoria das relações trabalhista no campo e nas cidades.

A Asplan foi uma das entidades que recebeu essa distinção por sua atuação na Comissão Permanente Regional Rural (CPRR-PB). O Médico do Trabalho da Associação, Dr. Heleno Lima, recebeu a honraria em nome do Departamento de Segurança do Trabalho da entidade do qual faz parte, juntamente com o técnico Natanael Leal da Silva. “Nossa Associação tem compromisso com a melhoria das relações entre patrões e empregados porque entendemos que essa união de forças é salutar e só engrandece a nossa atividade”, destaca o diretor tesoureiro da Asplan, Oscar Gouvêa.

Um dos palestrantes do evento da SRTE, o professor Ericson falou sobre “A geografia do trabalho assalariado rural na PB- Um olhar para a atividade canavieira’ onde enalteceu as melhorias incorporadas ao dia a dia do trabalhador canavieiro que incluem o uso de transporte adequado, de disponibilidade de EPI’s, o registro em Carteira de Trabalho, o aumento na remuneração, a melhoria nos alojamentos, o acesso à água potável, entre outros itens. “Antigamente, os trabalhadores eram transportados em paus de arara, hoje só se locomovem em ônibus, não usavam EPI’s, poucos recebiam o salário mínimo e hoje ultrapassam esse valor por causa da produtividade, todos os trabalhadores têm registro em Carteira e, consequentemente, têm seus direitos assegurados, hoje tomam água potável, em recipientes adequados, se alimentam bem melhor e têm à disposição alojamentos adequados para o repouso”, destacou Ericson.

Ainda segundo explanação do professor, dos quase 70 mil trabalhadores rurais registrados na Paraíba, em torno de 40 mil atuam na cultura canavieira. “Esse setor é, sem dúvida, o grande empregador no campo, não só na Paraíba, mas em outros estados do Nordeste e do Sudeste do País onde há o cultivo da cana-de-açúcar”, destacou ele, que também externou uma questão eminente que vai mudar esse cenário de emprego no campo. “Com a proibição da queima da cana e a ampliação do processo de mecanização, haverá perdas significativas de emprego no campo, já que uma máquina colheitadeira, por exemplo, substitui o trabalho de 100 pessoas”, disse Ericson.

Outra preocupação que ronda o campo, segundo o professor, é a questão da mudança nas regras da previdência. “Se as mudanças forem implementadas como estão sendo propostas pelo governo hoje, a situação do trabalhador rural, principalmente, na cultura da cana-de-açúcar que opera com safras, ou seja, o trabalhador fica seis meses trabalhando e seis meses parado, vai ficar complicada já que a mudança só prevê o pagamento do seguro desemprego para quem trabalha o ano inteiro”, destacou Ericson.