Governo Federal precisa adotar uma política clara para valorizar setor sucroenergético nacional

paulo leal

paulo lealSem uma política definida, setor enfrenta crise que já fechou 60 indústrias e extinguiu mais de 60 mil postos de trabalho

A cobrança de uma política clara para o setor, com definição do papel do etanol na matriz energética brasileira foi consenso em todos os discursos da sessão da Comissão Geral para tratar da crise do setor sucroenergético brasileiro. Realizada nesta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados, a sessão contou com a participação de empresários, trabalhadores e representantes de entidades ligadas ao setor que relataram os problemas enfrentados pelo segmento que contabiliza o fechamento de 60 indústrias nos últimos dez anos e a redução de mais de 60 mil postos de trabalho.

Uma das soluções propostas aos parlamentares durante os debates foi  o retorno da Contribuição de Intervenção Sobre o Domínio Econômico – CIDE, além da atualização de valores que atendam as necessidades do setor. Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso, que participou da sessão junto com o vice-presidente da Asplan, Raimundo Nonato e do diretor, José Inácio de Moraes, a medida é boa porque estimulará o consumo de etanol que, por sua vez, contribuirá para a valorização do preço da cana-de-açúcar no mercado, mas, Murilo defende que o governo tenha medidas mais direcionadas e definidas para tirar o setor da crise.  “A medida é boa. Com a taxação sobre a gasolina, as usinas tendem a produzir mais etanol, mas precisamos mesmo é de uma política que regulamente o setor de cana-de-açúcar”, destaca ele.

O presidente da Federação dos Plantadores de Cana (Feplana), Paulo Leal, solicitou a adoção de um programa de recuperação de ativos para os setores industrial e agrícola. “São mais de 300 mil desempregados do campo. O governo não pode ficar insensível a essa realidade. É preciso reestabelecer a situação financeira da indústria, que começou a nova safra devendo uma safra e meia e dar fôlego ao produtor de cana que sofre com baixa remuneração da matéria-prima, com a seca no Nordeste, com aumentos de insumos e ainda com a indefinição do pagamento da subvenção”, disse Paulo leal, lembrando que a política do governo nos últimos anos mantiveram artificialmente o preço da gasolina mais baixo do que o do etanol, prejudicando justamente o setor de energia renovável e limpa.

O secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, defendeu a necessidade de definição de políticas estratégicas para resolver a crise do setor sucroalcooleiro e para fixar o etanol na matriz energética do país. “Há cinco anos, 56% da matriz energética era de energia renovável. Esse número diminuiu para 36%. Quando deveria crescer, regrediu”, observou ele.

Já o deputado federal de Alagoas, João Henrique Caldas (SD-AL), autor da solicitação do debate confirmou que as políticas do governo beneficiam os combustíveis de matrizes fósseis, em vez dos oriundos de matriz energética limpa. “Este governo se dedicou desde o primeiro momento a manter artificialmente baixo o preço da gasolina, prejudicando a competitividade do etanol. A resposta do governo tem sido “tímida” e se mostra “estéril” para acabar com a crise em longo prazo. É preciso ajustes tributários para garantir a competitividade do etanol, além da criação de linhas de créditos específicas para o setor”, disse o deputado que lembrou que os problemas climáticos, como a crise hídrica, também têm afetado o setor, que responde por 30% do PIB do setor agrícola do Brasil.