Palestras técnicas comprovam importância da irrigação e ganhos bem acima da média com a adoção do sistema de gotejamento

Quem planta e vive da agricultura, sabe que a produtividade está diretamente relacionada às questões climáticas e que, inclusive, a questão hídrica responde por 50% da produtividade de uma lavoura. Nesta quarta-feira (10), essa questão foi amplamente debatida e aprofundada através de palestras técnicas, cujos enfoques deram ênfase aos diferenciais da irrigação através de sistemas de gotejamento. O coordenador Agronômico da Netafim, Daniel Botelho Pedroso, e o consultor da Cana Consultoria, Ricardo Inojosa Costa, mostraram casos de sucesso e dados que comprovam  não apenas a eficácia, mas os ganhos com a adoção de irrigação por gotejamento, quando comparado à utilização de outros sistemas tradicionais, a exemplo de pivôs e canhões.

O evento, realizado pelo Departamento Técnico da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em parceria com a Netafim, Hidrobrás e Asbranor, foi aberto pelo presidente da Associação, Murilo Paraíso, que enalteceu a importância da Asplan debater temas que podem ajudar os produtores a terem uma maior produtividade. Em seguida, foi apresentado um vídeo da Netafim com detalhes de como funciona o sistema de irrigação por gotejamento, além de seus diferenciais em relação a outros sistemas.

O coordenador Agronômico da Netafim, Daniel Botelho Pedroso, fez um breve histórico da empresa e apresentou casos de comprovado aumento de produtividade em usinas paraibanas e alagoanas. Em uma das apresentações, a da usina Japungu, em Santa Rita, foi constatado que a produtividade dos canaviais quase dobrou com o uso do gotejamento em relação ao pivô fixo. Segundo o experimento, enquanto que com o pivô fixo a usina teve uma produtividade de 69 toneladas/por hectare, com o sistema de gotejamento ela subiu para 105.

O engenheiro agrônomo Daniel, no entanto, lembrou em sua apresentação que o aumento de produtividade não se alcança somente com irrigação. “Para aumentar a produtividade é preciso ver um conjunto de fatores que passa pelo preparo do solo, adubação, escolha da variedade, passando pela qualidade dos produtos e também pela irrigação”, reiterou ele, reforçando que dos fatores que afetam a produtividade, o clima, responde por 50%. O manejo, segundo ele, responde por 14%, a planta por 13% e o solo por 23%. Ele também focou a vantagem da irrigação por gotejamento no que diz respeito à possibilidade de setorização do processo. “Desta forma, otimizamos o uso da energia elétrica e ainda direcionamos a irrigação, tendo um consumo menor de água”, destacou ele. Outra vantagem do gotejamento, segundo ele, é que o sistema pode ser implantado antes ou após o plantio.

A segunda palestra foi feita pelo consultor da Cana Consultoria, Ricardo Inojosa Costa, que fez uma explanação, com o apoio de gráficos e tabelas, sobre a política econômica de produção e comercialização de açúcar e etanol no mercado nacional e internacional. Quando ele abordou a competitividade, expansão e retração do mercado de produção de cana-de-açúcar no Brasil, o consultor fez o destaque para o fato de a Paraíba ser o único estado do Nordeste que cresceu em competitividade. Ainda segundo Ricardo Inojosa, um dos fatores que diferenciou os resultados da Paraíba em relação a outros locais, foi o clima, responsável por quase 70% desta performance. O consultor fez ainda comparativos de produtividade entre Paraíba e Ribeirão Preto (SP) e mostrou um gráfico de viabilidade econômica de gotejamento na Paraíba que atesta que o retorno dos investimentos em sistemas de gotejamento são bem maiores. De acordo com a apresentação, enquanto o retorno do investimento em um sistema de gotejamento fica em 2,12 por unidade, usando pivô cai para 1,43 e canhão cai mais ainda para 0,08. “O investimento em gotejamento é maior, mas, o retorno é bem mais expressivo”, disse o consultor.

O representante da Projet Agro, Carlos Henrique, falou em seguida sobre experiências em Capim e Santa Emília II com aspersão com lâmina de salvação em cana irrigada, reforçando a importância do processo para o aumento dos índices de produtividade. Após cada palestra, quem teve dúvidas pôde tirá-las com os palestrantes. No intervalo entre a primeira e segunda palestra, o ex-presidente da Asplan e produtor José Inácio, fez uma homenagem a Antônio Delfino da Silva, produtor canavieiro que, aos 92 anos, ainda continua a trabalhar e a dirigir seu próprio trator. Tranquilo, seu Antônio, que trabalha desde os cinco anos com agricultura, agradeceu a homenagem e disse que seu segredo é gostar do que faz.