Produtores de cana na Paraíba estão preocupados com a previsão de chuvas abaixo da média a partir de

Embora a imprensa e o próprio governo federal venham falando da pior seca desde o final da década de 90 que atinge a região Nordeste, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantem a previsão de que as chuvas para o trimestre que se inicia em maio e termina em julho de 2012, elaborada em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e outros centros estaduais de meteorologia, continua indicando a maior probabilidade de chuva entre as categorias normal (40%) para o setor leste da Região Nordeste (Agreste, Zona da Mata e Litoral). Segundo o chefe da Seção de Previsão do Tempo do 3º Distrito Meteorológico do Inmet, em Recife, Ednaldo Araújo, a maior possibilidade de ocorrência de chuvas dentro da média, no entanto, não elimina a preocupação dos produtores com os 35% de chuvas classificadas como abaixo do normal climatológico previsto para ocorrer também no setor leste nordestino durante o mesmo período.
Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso, os produtores estão torcendo para que as chuvas dentro da média realmente aconteçam e que a percentualidade das precipitações abaixo da média não prejudiquem, ainda mais, os canaviais paraibanos e outras lavouras. Ele explica que os meses de março e abril foram devastadores para a plantação de cana-de-açúcar na Paraíba e que a falta de chuva nesses meses já resultou na perda de, pelo menos, 15% da safra 2012/2013. “Estamos muitos apreensivos porque cerca de 90% dos produtores no estado não tem irrigação e dependem dessas chuvas para que a cana se desenvolva na sua totalidade”, ressaltou o dirigente, com esperanças de que a probabilidade de ocorrência de chuva na categoria acima da normal climatológica (40%) não despenque no decorrer do trimestre.
O chefe de previsão do tempo do Distrito Meteorológico do Inmet, em Recife, Ednaldo Araújo, por outro lado, tranquiliza os produtores ao afirmar que a expectativa é de que na Paraíba, do Litoral até uma faixa de 200 km para dentro do estado, as chuvas ocorram dentro da média. “Nestes três meses, há uma grande possibilidade de que as chuvas dentro da média se estendam até, pelo mesmo, a cidade de Monteiro”, disse Ednaldo, frisando, porém, que no Cariri e Sertão a previsão é de chuvas abaixo da média.  “As chuvas no sertão e no cariri só ocorrem entre dezembro e abril. Agora, ao iniciar maio, não terá mais tanta probabilidade nestas regiões, diferente o Litoral, onde as chuvas acontecem de março a julho”, observou, frisando que no cariri o no sertão, o poder público terá que intervir. “Os reservatórios no mês de maio, com certeza, estarão abaixo da média em todo o Nordeste e o governo terá que fazer um levantamento de onde a situação é mais grave e tomar uma atitude”, defendeu Ednaldo.
Segundo dados do Inmet, a ocorrência de chuvas abaixo da climatologia no Nordeste, principalmente no sertão e no cariri, está associada principalmente ao padrão de águas superficiais mais frias que o normal na região do Atlântico Tropical que, por sua vez, intensifica o sistema de alta pressão atmosférica sobre o oceano e áreas continentais adjacentes, desfavorecendo a formação de nuvens e por consequência a evaporação e a precipitação. Esse resfriamento das águas do Atlântico Tropical, considerado anômalo, foi notado pelo órgão desde o início de 2012.
Além disso, técnicos do Inmet notaram a atuação mais ao norte da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas no norte da Região Nordeste e a formação, desde o início de 2012, de circulações ciclônicas anômalas e persistentes nos níveis mais altos da atmosfera, que também contribuíram para a diminuição das chuvas. O enfraquecimento do fenômeno La Niña, que vem sendo notado sobre o setor leste do Pacífico Equatorial, onde persistem águas superficiais mais quentes que o normal desde fevereiro passado, também influenciou as previsões climáticas no Brasil.
 
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