Produtores, donos de usinas e representantes do segmento canavieiro se reúnem para conhecer uma nova perspectiva sobre o setor

Agrofeira 2012

Agrofeira 2012

Uma palestra do engenheiro agrônomo, Caio Carvalho alertou os produtores para a importância da cobrança de políticas públicas mais eficientes para salvaguardar o segmento canavieiro no país

O que fazer para buscar novos nichos de eficiência e competividade em meio a safras difíceis, não apenas por razões climáticas, mas, principalmente, pela política fiscal vigente que onera a fabricação de etanol e encarece a produção de cana no Brasil? A questão, já amplamente discutida por produtores de cana, foi tema central de uma palestra ministrada pelo renomado consultor técnico e diretor da CANAPLAN, o engenheiro agrônomo, Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio Carvalho), nesta terça-feira (21), no auditório da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), durante a II AgroFeira. A ação, fruto de uma parceria da Asplan com a CropSan e a Dow AgroSciences, apontou as principais perspectivas do setor sucroenergético brasileiro para os próximos anos e estimulou  o debate a respeito dos mercados nacionais de açúcar, etanol e gasolina face às políticas públicas – equivocadas, na opinião dos representantes do setor, praticadas pelo governo federal.

Do ano de 2009 para cá, segundo o diretor da CANAPLAN, Caio Carvalho, o Brasil está vivendo um caos no que se refere a combustíveis. Nesse período, disse ele diante de uma plateia de cerca de cem pessoas na Asplan, o país tem observado o aumento sem precedentes do preço da gasolina que a Petrobrás é obrigada a importar para atender a demanda do mercado interno. O crescimento acelerado da frota de veículos nas cidades,  e à estagnação da oferta de etanol ao tempo que o produtor de cana tem ficado cada vem mais endividado com os vários empréstimos, a chegada de novos gastos (mecanização do campo), tem trazido perplexidade e insegurança para produzir . “Hoje o preço do etanol dança ao sabor do vento e o do álcool hidratado está travado pelo preço do petróleo praticado pela Petrobras”, disse o consultor.

Além disso, continuou o palestrante, o país não tem ainda uma política econômica definida em favor da produção do combustível verde, renovável, limpo. Exemplo disso é que no dia seguinte à abertura da Rio + 20, o governo “zerou” a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico –  incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e derivados. “Há uma forte carga tributária em cima da produção de etanol enquanto que na gasolina o governo está desonerando”, afirmou sobressaltado, salientando que esse cenário tem causado a falência de diversas usinas no Centro-Sul do país, existe hoje cerda de 40 unidades que não esmagarão cana nesta safra. “Entre dezoito e vinte por cento dos grupos no centro-sul estão tendo que se fundir para não fechar as portas”, frisou.

Mas de acordo com Caio Carvalho, a falta de incentivo do governo não tem sido o único impedimento para que  o setor enfrente as adversidades e saia vitorioso. A situação também decorre de problemas estruturais e cíclicos que devem continuar a impactar na produção. Dentre os problemas estruturais podem ser citados o aumento gradual da idade média dos canaviais, a falta de investimento em insumos mais eficientes e modernos, bem como o próprio fato da mecanização da colheita, que tem levado os produtores a modificar todo o seu modo de trabalho nas lavouras.

Esses obstáculos, para Caio Carvalho, também tem contribuído para a volatilidade das safras de cana da Paraíba. O palestrante explicou que, apesar do crescimento bastante significativo de 2% sobre o Nordeste, a safra paraibana ainda mantém oscilações muito elevadas, o que afasta qualquer investidor em busca de um risco zero. Uma das saídas, orientou ele, é investir em novas tecnologias e em variedades mais ricas,  para fortalecer o segmento. Da parte do governo, espera-se o incentivo da produção do etanol, seja na redução do ICMS cobrado sobre a cana, seja com uma tributação mais elevada sobre a gasolina.

Ao final de sua apresentação, Caio Carvalho deixou claro que competividade é mais que produtividade. “Temos que pensar em um conjunto de fatores que influenciam como o custo, o preço, a venda, o marketing, etc”, disse ele, ressaltando, porém, que o setor deve manter a esperança de que tudo deve ser recuperado quando o governo compreender que está agindo de forma equivocada quanto às suas políticas públicas de socorro aos produtores canavieiros e às estruturas industriais de fabricação do álcool e do açúcar. Enquanto isso, o cooperativismo para o pequeno produtor, os investimentos em tecnologias e informações estratégicas e a cautela devem ser a segurança do produtor.

O presidente da Asplan, Murilo Paraíso, que na oportunidade fez a abertura solene do evento ao lado dos representes da CropSan e a da Dow AgroSciences, João Carlos Toscano e Alberto Tabosa, respectivamente, bem como do diretor do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no estado da Paraíba – Sindalcool, Edmundo Coelho; do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba –Faepa, Mário Borba, e dirigentes de associações do Rio Grande do Norte e Pernambuco; agradeceu a escolha da Paraíba para sediar a importante palestra. “Essa é a II AgroFeira da CropSan e nós agradecemos a preferência de trazê-la para nosso estado. Aqui no Nordeste todos estão sentindo as dificuldades causadas pela última seca e essa palestra foi de muita importância para traçar nossas estratégias seguirmos em frente conversando com os governos para que eles atentem para o que estão fazendo”, avaliou o dirigente.

Apresentação e venda de produtos a preços diferenciados

Também na programação da II AgroFeira, aconteceu uma apresentação de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fabricados pela EPITEC. Durante o evento realizado pela CropSan e a Dow AgroSciences, os convidados também puderam conhecer um pouco mais das novidades em produtos trazidas pela CropSan, que é revendedora das soluções Dow AgroSciences. Na ocasião, os produtos foram apresentados por um engenheiro agrônomo da área técnica da Dow AgroSciences, também chamado de Caio Carvalho. Um estande de vendas dos produtos da Dow AgroSciences estará à disposição do produtor na sede da Asplan até esta sexta-feira (24) para que ele conheça a eficiência dos produtos no combate às doenças e pragas e avalie as melhores formas de pagamento diretamente com um consultor da marca. Para mais informações entrar em contato através dos telefones (81) 3471-3034/ (81) 9961-3932 ou (83) 3241-6424.

News – Assessoria & Comunicação
Jornalista responsável: Eliane Sobral (DRT-PE 1993)
Repórteres:
Eliane Sobral (DRT-PE 1993)
Juliana Lichacovski (DRT-PB 2917)
Lusângela de Azevedo (DRT 4744/02-40)
Contato: (83) 3221-8829/ 3221-8830
Twitter: @Elianenews