Professor Renan Cantalice mostra em palestra na Asplan que manejo estratégico de plantas daninhas é aliado da produtividade canavieira

Professor Renan Cantalice mostra em palestra na Asplan que manejo estratégico de plantas daninhas é aliado da produtividade canavieira

A importância do manejo eficiente das plantas daninhas como ferramenta para aumentar a produtividade, reduzir custos e garantir a longevidade dos canaviais foi o tema da palestra ministrada pelo professor doutor Renan Cantalice (CECA/UFAL), nesta terça-feira (14), na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa. Com o tema “Proteção do canavial: eficiência no controle de plantas daninhas”, o encontro foi promovido pela Crop e pela Nortox, com apoio da Asplan, reunindo produtores de cana, representantes de usinas, agrônomos, técnicos e profissionais ligados ao setor.

Na abertura do evento, o presidente da Asplan, José Inácio de Morais, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância da parceria entre a entidade e a Crop, ressaltando que a realização de eventos técnicos fortalece o setor ao aproximar os produtores das novas tecnologias e das melhores práticas de manejo. “Receber a Crop é como receber um amigo. Nossa parceria é de muitos anos e vocês são de Casa (Nonato e Neto Siqueira). A Asplan tem como missão levar conhecimento ao produtor e abrir espaço para iniciativas que contribuam para o fortalecimento da atividade canavieira. Tenho certeza de que todos sairão daqui levando muito aprendizado, porque o professor Renan faz uma palestra extremamente técnica, objetiva e, ao mesmo tempo, muito didática. Foi uma das melhores apresentações que assisti nos últimos tempos”, afirmou. José Inácio também aproveitou a ocasião para lembrar que o setor aguarda a liberação dos recursos da subvenção econômica concedida pelo Governo Federal aos produtores nordestinos.

Reconhecido nacionalmente por sua atuação na área de manejo de plantas daninhas, o professor Renan Cantalice conduziu uma palestra baseada em resultados de campo e experiências práticas. Ao longo da apresentação, o especialista demonstrou que o controle das plantas daninhas começa muito antes da aplicação dos herbicidas e depende, sobretudo, de planejamento, monitoramento permanente e tomada de decisão baseada em diagnóstico técnico. Segundo ele, um dos maiores erros é acreditar que existe uma solução única para todas as áreas. “Não existe receita pronta para o manejo de plantas daninhas. Cada propriedade possui características próprias de solo, clima, histórico da área e espécies infestantes. O produtor precisa caminhar na lavoura e conhecer seu canavial. Quanto maior o conhecimento da área, menores serão os erros e maiores serão os ganhos de produtividade”, explicou.

Renan destacou que o manejo eficiente reduz significativamente as perdas provocadas pela competição entre a cana e as plantas daninhas por água, luz e nutrientes, além de aumentar a vida útil do canavial. “O canavial dá lucro quando é longevo. Quanto menor a necessidade de renovação da lavoura, maior será a rentabilidade do produtor”, ressaltou. Durante a palestra, o pesquisador apresentou dados que evidenciam o impacto das infestações de plantas daninhas. Além da redução na produção de toneladas por hectare, ele explicou que as daninhas provocam aumento do consumo de fertilizantes, desperdício de nutrientes, desgaste dos equipamentos de colheita, dificuldades operacionais e favorecem a proliferação de pragas e doenças.

Renan chamou atenção para espécies como capim-colonião, gengibre, camalote, e outras que vêm ampliando sua presença nas áreas produtoras de cana no Nordeste. Segundo ele, muitas dessas espécies permanecem viáveis no solo por anos, formando um banco de sementes que compromete várias safras futuras quando o manejo não é realizado de forma correta. “O produtor precisa enxergar o manejo de plantas daninhas como investimento e não como custo. Tudo o que deixamos de controlar hoje pode representar perdas durante muitos anos”, enfatizou.

Outro ponto abordado pelo especialista foi a necessidade de integrar diferentes estratégias de controle, reunindo práticas mecânicas, químicas e monitoramento constante das áreas. Renan apresentou recomendações sobre dessecação pré-plantio, uso de herbicidas residuais, escolha das moléculas conforme o tipo de solo, técnicas de catação, época correta de aplicação, qualidade da água utilizada nas pulverizações, regulagem dos equipamentos e utilização de drones para monitoramento das lavouras. “O drone ajuda muito, mas ele não substitui a caminhada na lavoura. É preciso conhecer o campo, identificar corretamente os problemas e recomendar o manejo adequado para cada situação, lembrando que é importante que a estratégia de controle tenha amplo espectro”, observou.

O palestrante também alertou para a importância da qualidade da água utilizada nas pulverizações, explicando que águas contaminadas com argila, matéria orgânica ou excesso de minerais podem comprometer significativamente a eficiência dos herbicidas e também do cuidado com o preparo do material a ser aplicado. Ele falou ainda do custo-benefício do uso de alguns produtos, como o METSULFURON, PICLORAM, FLUROXIPIR P, TRICLOPIR Fe HEXAZINONA. E encerrou sua fala com a frase do renomado agrônomo e professor emérito da Colorado State University, Robert L. Zimdahl: ‘Plantas daninhas não são conscientes, mas parecem inteligentes”.

Representando a Nortox, o RTV Matheus Souza apresentou a trajetória da empresa, que completa 72 anos de atuação no mercado brasileiro, destacando sua contribuição para o desenvolvimento da agricultura nacional e o investimento contínuo em pesquisa e inovação. “A Nortox hoje tem 49 produtos registrados em fórmula e fábricas e 24 produtos registrados para serem lançados até 2030”, disse. O diretor da Crop, Angelo Siqueira, destacou a parceria que tem com empresas de adjuvantes,agradeceu o apoio da Asplan, elogiou a qualidade técnica da palestra do professor doutor e reiterou que a Crop tem à disposição dos produtores uma equipe especializada para orientação dos tratamentos.

Encerrando o encontro, o diretor técnico da Asplan, Neto Siqueira, agradeceu a presença dos produtores, representantes das usinas e parceiros e destacou a qualidade técnica da apresentação. “Pela didática, que é muito peculiar em todas as suas apresentações, queremos agradecer ao professor Renan. Também agradecemos à Crop e à Nortox, que são parceiras da Asplan e estão sempre trazendo conhecimento e inovação para os nossos associados”, disse. Neto lembrou que o Departamento Técnico da Associação permanece à disposição dos produtores para prestar assistência, recomendações agronômicas, visitas técnicas e todo o suporte necessário para melhorar o desempenho das lavouras.