Seca prejudica a cadeia produtiva da cana-de-açúcar

A seca que atinge a Região Nordeste também deve reduzir em mais de 25% a safra de cana-de-açúcar dos produtores da Paraíba. A estimativa é da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), que representa 1.700 fornecedores no estado. O problema, explicou o presidente da Asplan, Murilo Paraíso, está no fato de a estiagem, que normalmente afeta o agreste e o sertão nordestinos, desta vez se estendeu um pouco mais e atingiu também a zona da mata paraibana, onde estão os canaviais. Com a seca, disse ele, o ciclo de vida da cana começou a ser afetado, ou seja, uma planta que vive cinco safras em média, com a escassez da chuva, está morrendo antes do tempo.

Diante das perdas anunciadas, o setor – que segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), gera em torno de 18.000 empregos formais e um total 44.000 empregos quando incluídas as atividades indiretas e dependentes da produção canavieira – também prevê a diminuição do número de contratações. “Com a seca, tivemos uma redução de pelo menos dois meses de safra porque começamos um mês mais tarde e a safra terminará um mês antes. Vamos moer 25% a menos e isso, é claro, se refletirá no número de contratações que não tem como ser o mesmo”, desabafou o dirigente da Asplan, Murilo Paraíso, acrescentando que a situação afetará ainda as safras seguintes porque depois dessa seca existe cana que não brota mais.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Álcool e do Açúcar da Paraíba – Sindalcool, Edmundo Barbosa, o segmento sucroalcooleiro paraibano deve ser resguardado pelo poder público de alguma maneira tendo em vista a sua importância na economia do estado. “O setor é o segundo maior exportador e o maior empregador na economia do estado. Analisando o Produto Interno Agrícola, há uma liderança absoluta e na arrecadação de impostos ele é também o setor econômico que mais arrecada encargos sociais, tributos federais como o IPI, e na arrecadação estadual, a contribuição do etanol significa cerca de 4,5% do ICMS arrecadado”, explicou o dirigente, frisando também que a área plantada na Paraíba, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo todos os municípios canavieiros alcança 140.000 hectares.

Atenuante para o sofrimento

O anúncio de que a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 583 que abre crédito extraordinário de R$ 676 milhões para os municípios, principalmente do semiárido nordestino, que sofrem com a estiagem reacende as esperanças do produtor nordestino que sofre os efeitos da escassez de chuvas este ano. A MP já havia sido aprovada pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional e a matéria será apreciada pelo Senado. De acordo com a MP, o dinheiro será destinado ao Ministério da Integração Nacional para a adoção de medidas de defesa civil. Do total dos recursos liberados, R$ 500 milhões deverão ser reservados para aquisição de alimentos, entrega de cestas básicas e abastecimento de água, por meio de carros-pipa, para o consumo da população das áreas atingidas pela seca. O restante do dinheiro será utilizado para auxílio emergencial financeiro dos municípios.

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