Sequenciamento do genoma da cana-de-açúcar pode ajudar o produtor a ter variedades mais produtivas e mais resistentes às secas

Identificar as características dos genes da cana-de-açúcar responsáveis pelos níveis de açúcar e sua suscetibilidade a pragas e doenças. Este é o desafio do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas, que desenvolveu uma importante ferramenta, a Biblioteca de Cromossomo Artificial de Bactéria (BAC), capaz de auxiliar o processo de sequenciamento genético da cana. Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso, a conclusão do trabalho dos pesquisadores resultará no melhoramento das plantações de cana, que estarão mais resistentes a pragas e a diversas intempéries climáticas. O projeto completo do genoma da cana deverá ser concluído até, no máximo, o início de 2013.

O mapeamento do genoma da cana é considerado um dos mais complexos que existem na natureza. Não à toa, o principal desafio da pesquisa está no desenvolvimento de uma tecnologia capaz de separar dez cópias de cromossomos da cana, diferentemente do arroz, do sorgo e até mesmo dos seres humanos, que possuem apenas um par da molécula. Mas, para resolver isto, os pesquisadores estão criando, em parceria com a Microsoft Research, um algoritmo que separe essas cópias. A Biblioteca de Cromossomo Artificial de Bactéria (BAC) está sendo desenvolvida a partir de uma variedade comercial da cana (a SP80-3280) que ajudará os cientistas a identificar e desvendar características dos genes da cana responsáveis por tornar a planta ainda mais forte e desenvolvida.

O presidente da Asplan, Murilo Paraíso, espera que a pesquisa traga soluções, principalmente, para o produtor nordestino que comumente vê sua plantação de cana arrasada pela seca e pela falta de recursos para investir na aquisição de novas variedades genéticas mais resistentes ao clima da região. “Com esse estudo poderemos ter, no futuro, variedades mais produtivas em termos de níveis de ATR e mais resistentes às secas. Assim, ganhamos no preço da cana e não perderemos tantas plantas durante o período de falta de chuva. Mas, é importante que as benesses desse estudo realmente cheguem até nós”, disse o dirigente.

 Além de descobrir o que torna a planta mais forte e produtiva, o estudo também abrirá possibilidades para o sequenciamento do passado da cana, ou seja, com a pesquisa, os estudiosos descobrirão  qual a espécie primitiva da cana responsável pela origem do sorgo, que também influenciou o surgimento do milho, em um processo ocorrido há cerca nove milhões de anos.

Um artigo publicado por dez pesquisadores do projeto no portal Bio Med Central Research Notes, veículo que dissemina trabalhos científicos de vários segmentos em todo o mundo, fornece resumidamente alguns detalhes sobre a BAC. Além da Unicamp também participam da construção da BAC a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto de Genômica da Universidade do Arizona, em Tucson, nos Estados Unidos (EUA).

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