Verticalização da produção através da irrigação na Usina Agrovale-BA melhora produção de cana-de-açúcar

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verticalizacaoLuís Augusto visitou a empresa e destacou diversos pontos para que o produtor paraibano conheça as técnicas utilizadas em outros estados para aumentar sua produtividade

Não é segredo: a técnica da irrigação bem planejada e conduzida, aliada a variedades adequadas para o ambiente, um bom preparo de solo e fertilização, são alguns fatores que fazem uma plantação de cana-de-açúcar ser bem-sucedida. A fórmula do sucesso, inclusive, foi constatada na usina AGROVALE, ao Norte do estado da Bahia, na divisa com Pernambuco, pelo engenheiro agrônomo da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba – Asplan, Luís Augusto de Lima. A região, que é de seca e de solo atípico para a produção da cana, como é o Vale do São Francisco, foi um grande desafio que, segundo o engenheiro, só obteve êxito em razão da tecnologia aplicada.

A visita técnica aconteceu no último dia 05 de novembro a convite da NETAFIM (empresa do segmento de irrigação localizada). Na oportunidade, Luís Augusto participou de um dia de campo na usina, que está localizada na cidade de Juazeiro-BA. Na ocasião o engenheiro visitou duas áreas de produção comercial da usina. “Pela manhã fomos ao chamado projeto Pernambuco, onde estava sendo realizada a operação de sulcamento, adubação de fundação com MAP e implantação da fita gotejadora na área. Vi que o preparo de solo é extremamente rigoroso e passa por várias operações, desde nivelamento da área com motoniveladora, subsolagem com trator de esteiras e várias gradagens, visando a melhor sistematização e nivelamento do terreno. A adubação de fundação visa apenas suprir o fósforo enquanto que os outros nutrientes são colocados via irrigação ao longo do desenvolvimento da cultura”, observou Luís Augusto.

Já na parte da tarde, o engenheiro contou que visitou o projeto Salitre, uma área de 1.200 hectares implantados recentemente. “Lá observamos diferentes fases de desenvolvimento da cultura fertirrigada por gotejamento, bem como toda estrutura utilizada, como casas de bombeamento e injeção de fertilizantes e outros aspectos”, disse ele, frisando que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODEVASF, com uso dos recursos federais, fez o levantamento e mapeamento da área, destacou os melhores solos com aptidão para irrigação, construiu o canal principal do rio até as parcelas e entregou à empresa, através de licitação, viabilizando assim a prática da irrigação na região.

Assim, hoje, a usina consegue obter a produtividade de 260 toneladas de cana por hectare em área de gotejo fertirrigado. Já na cana soca possui uma média de 120 toneladas por hectare com 10 anos de colheita. A usina pretende chegar a 13 mil hectares só com gotejamento, implantando 3 mil hectares a cada ano. Para o engenheiro Luís Augusto, o modelo de verticalização da produção adotado pela usina deveria ser o espelho para usinas e fornecedores de cana de outras regiões. “É uma alternativa para se manter vivo na atividade sucroalcooleira, evitando oscilações na produção mesmo com condições climáticas adversas. Embora o gotejamento possua um custo de implantação elevado, a longevidade e a produtividade obtida o tornam viável economicamente”, concluiu.

A AGROVALE e seus desafios

Fundada em 1972, a AGROVALE teve sua primeira safra em 1980. Com pluviosidade média anual de 400 mm, a usina possui 100% da área irrigada por três sistemas de irrigação: 10% pivô central, 60% irrigação por sulcos e 30% irrigação por gotejamento tendo processado na safra 2013/2014 cerca de 1.500.000 toneladas de cana, e sua produtividade média em torno de 92 toneladas de cana por hectare, superando a média nacional que na safra 2013/2014 girou em torno de 75 toneladas por hectare. Mas, com tudo isso, a AGROVALE possui alguns desafios, que é a mecanização da colheita dos seus canaviais, a implantação de novas áreas de cultivo e a migração do sistema de irrigação por sulcos para gotejamento, na tentativa de verticalizar ainda mais a produção e, com isso, chegar a moer 5.000.000 de toneladas de cana. “A usina trabalha com metas e consegue alcança-los com muito planejamento”, comentou Luís Augusto, repassando a dica para os fornecedores de cana da Paraíba.