A crise do setor é passageira e os produtores merecem ter acesso aos ganhos do CBIOs foram algumas das constatações da live do IFAG

A crise é passageira, tem uma luz no fim do túnel, o consumo de etanol está voltando, o produtor precisa renovar seu canavial, o governo federal tem que ajudar o setor a superar essa crise, é urgente melhorar a visibilidade e o entendimento da importância do setor na sociedade e isso se dá através de ações de comunicação, o produtor terá acesso aos créditos de descarbonização, o CBIOs dará ainda mais credibilidade ao setor sucroenergético e o setor industrial precisa ser ainda mais parceiro do produtor. Essas foram algumas das constatações de uma live, realizada na noite desta sexta-feira (05), que reuniu representantes de várias entidades ligadas ao setor sucroenergético nacional. A live debateu os cenários atual e futuro do setor e foi promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), SENAR, Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG) e Sindicato Rural de Goiás. A mediação do evento foi feita pelo Coordenador Técnico do IFAG, Alexandro Santos.

O presidente da CNA, Ênio Fernandes, da Orplana, Gustavo Rattes, da Feplana, Alexandre Andrade e da Unida e da Asplan, José Inácio de Morais foram os debatedores da live. Para José Inácio esse debate sobre a atual conjuntura do setor canavieiro foi oportuno e importante. “Vivemos um cenário adverso, sob o qual ninguém sabe ao certo quais serão as repercussões e precisamos, mais que nunca, estar unidos e coesos para juntos conseguirmos fortalecer o setor”, disse José Inácio, lembrando que essa pandemia não é a maior crise que o setor enfrenta no Nordeste. Segundo ele, os sete anos de seca na região, os 16 anos dos governos do PT e a crise de 1986 foi ainda mais cruel. “Naquela época enfrentamos uma inflação de 80% e uma cana com baixo preço. Hoje, já atingimos R$ 100, oscilamos em R$ 80 e já caminhamos para R$ 95”, destacou José Inácio, que elogiou a postura da ministra da Agricultura, Thereza Cristina, criticou a demora do Banco do Brasil em ajudar o setor e lembrou que o produtor não deve deixar de renovar seu canavial em 10%,12% ou nos ideais 16%.

O dirigente da Unida disse ainda que não entende a resistência de alguns representantes do setor industrial em destinar parte dos créditos de descarbonização do CBIOs para os fornecedores, inclusive porque o valor a ser direcionando aos produtores além de ser merecido, não vai comprometer o lucro da indústria. Por fim, José Inácio reiterou que o setor precisa andar coeso e destacou, neste sentido, a necessidade de que todas as entidades trabalhem para a aprovação do Projeto de Lei 3149, apresentado pelo deputado paraibano, Efraim Filho. “Esse PL tem o objetivo de corrigir uma injustiça contra os produtores independentes de cana na lei do RenovaBio, que deixou os fornecedores fora do recebimento dos créditos descarbonização (CBios), restringindo o acesso aos ganhos apenas aos industriais”, lembrou José Inácio, conclamando todas as entidades a lutarem pela aprovação do Projeto.