Encontro sobre cana-de-açúcar mostra que a produtividade do canavial está diretamente ligada ao tipo de variedade utilizada

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consultor benonEvento promovido pela Asplan aconteceu na manhã de hoje (01) e reuniu estudiosos, pesquisadores, associados, produtores e industriais da Paraíba

“A variedade de cana usada no plantio influencia, diretamente, na produtividade do canavial. Se o produtor usar, por exemplo, a RB 92579 que é a quarta variedade mais plantada no Brasil, ele terá um ganho de produtividade de cerca de 30% em relação às demais variedades”, afirmou na manhã desta quarta-feira (01), o pesquisador da Ridesa/Ufal, Antônio José Rosário de Sousa. Ele foi um dos palestrantes do ‘Encontro sobre variedades de cana’ promovido pela Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan).

O evento, que aconteceu no auditório da associação, foi aberto pelo presidente da Asplan, Murilo Paraíso, que deu as boas-vindas aos participantes e falou da importância de se promover esses debates para os associados. “Todos os meses, o nosso departamento técnico trabalha um tema que seja do interesse do produtor canavieiro e esse de hoje  diz respeito diretamente a nossa atividade”, disse Murilo. Na ocasião, ele também fez um breve relato sobre como andam as negociações para o pagamento da subvenção e disse que até o final do ano, os produtores poderão ter novidades em relação a ação 4870 que tramita na |Justiça há mais de dez anos. O coordenador do departamento técnico, Vamberto Rocha, falou em seguida, apresentando os palestrantes do evento.

Além da escolha da variedade influenciar na produtividade, o pesquisador da Ridesa/UFRPE, Luiz José Oliveira Tavares de Melo, lembrou que o manejo, o ambiente, a época do plantio, a adubação, a disponibilidade hídrica e também o apoio técnico são fatores que também influenciam no aumento de produtividade. Segundo ele,  além da RB 92579, a opção pela RB 867515 e outras que já saíram da fase de experimento e estão sendo validadas, como a RB 992506 e RB 002754, também influenciam no aumento da produtividade da lavoura. No entanto, gráficos apresentados por ele, atestaram a supremacia da RB 92579 na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Na safra 2014/2015, no plantio de verão neste dois estado, o uso da RB 92579 atingiu 82%, enquanto que no plantio de inverno a variedade respondeu por 67% das plantações.

A RB 92579, segundo Antônio José Rosário de Sousa da Ridesa/Ufal, foi desenvolvida na usina Coruripe (AL) e há treze safras apresenta resultados animadores. “Enquanto com outras variedades a colheita por hectare gira em torno de 60 a 65 toneladas, com a RB 92579 esse valor sobre para 84 toneladas. A quantidade obtida de açúcar por hectare também é bem diferente. Com a RB 92579, contabilizamos 11 mil kg, enquanto que com as demais variedades esse patamar fica em torno de 8 mil kg”, atesta o pesquisador.

Após as palestras, houve um debate que foi conduzido pelo consultor, Benon José Barros Barreto, o gerente da usina Monte Alegre, José Pereira Valões e pelo engenheiro agrônomo e produtor rural, José Inácio de Morais Andrade. A plateia também se manifestou com perguntas e outras informações. “Foi um evento muito produtivo, eu diria até muito esclarecedor. Tenho certeza de que muitas dúvidas foram tiradas e que saímos hoje daqui como muito mais conhecimento de causa sobre esse assunto”, finalizou o coordenador do departamento técnico da Asplan, engenheiro Vamberto Rocha.