Socorro!

Nesses últimos tempos tenho tentado diversificar da temática canavieira, sempre recorrente nos meus escritos, mas não tem jeito, é muito difícil controlar a visceral necessidade de expressar minha angústia e modesta contribuição como guardião informal desse Setor tão importante para o nosso Estado.

Estamos assistindo uma das mais agudas crises da história recente da cana-de-açúcar em Pernambuco, combinando como receita do diabo, a política, ou melhor, a ausência de política do Governo Federal para com a Agroindústria Canavieira, principalmente no Nordeste, a seca que nos assola com especial intensidade, e por último a infeliz coincidência de incorporar também a gravosidade dos preços internos e externos dos produtos finais do Setor, o açúcar e o álcool.

Tendo perdido na última safra cerca de trinta por cento do seu contingente agrícola, ou algo próximo de cinco milhões de toneladas de cana, foram junto no bojo da tragédia, mais de cinquenta mil empregos, cerca de cem milhões de reais de tributos que deixaram de ser gerados, aproximadamente duzentos milhões de dólares em divisas, subtraídos de nossa receita de exportação, e por aí vai, para não nos alongarmos muito na extensa lista de agentes e fatores atingidos, cujo efeito multiplicador no Cluster canavieiro do Estado, distribuído por sessenta e dois Municípios da Zona da Mata, fora a Capital, ainda não fomos capazes de contabilizar com precisão.

Apesar do inadiável registro, embora superficial, da grave situação que se apresenta, ainda temos forças e esperança, que o minguado contingente de apenas treze milhões de toneladas de cana a que ficamos reduzidos, sirvam como plataforma de um vigoroso esforço de ressurreição, como recomenda o Governador Eduardo Campos para todos os segmentos atingidos pelo fenômeno da seca, para a restauração de patamar de produção minimamente compatível com o potencial e vocação canavieira do Estado.

Vale ressaltar, por ironia do destino, que a iniciativa de reação à desgraça, com o imprescindível apoio do Poder Público, poderá se transformar num dos mais importantes projetos já levados a efeito em Pernambuco, do ponto de vista social e econômico, gerando imediatamente nos próximos dias quem sabe, cerca de trinta mil empregos diretos, cuja maioria dos trabalhadores poderá ser recrutada no Agreste e no Sertão atenuando o impacto do verão que se inicia naquela região, para o replantio da cana na Zona da Mata, onde milagrosamente está chovendo, estaríamos restaurando o fato gerador de mais de cem milhões de reais de receita tributária direta e indireta já no próximo ano, e tantos outros benefícios para o Estado.

O que se assiste é o risco de um SUAPE às avessas, comprometendo o melhor momento do impulso no desenvolvimento do Estado, risco que não pode ser capaz de nos intimidar, e sem qualquer tipo de constrangimento, com o sentimento de responsabilidade que decorre da nossa condição como um dos principais pilares de sustentação econômica e social de nosso povo, afirmar, que Pernambuco jamais estará bem se a cana e sua gente estiverem mal, e concordar entusiasticamente com nosso Governador, que é preciso e “é possível fazer mais”, é em nome de tudo isso que pedimos Socorro!

 

* Consultor especialista em agronegócio/setor sucroalcooleiro